segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Por amor - Último capítulo

Nina encostou-se na parede da varanda, o sol estava se pondo e ela estava perdida em seus pensamentos, com o  olhar fixo em algum ponto do jardim. Lembrou-se do que viu no dia em que retornavam para casa. Da criança abandonada no tambor. 
Lembrou-se de tudo que havia passado nas mãos de Fabrício, do chute que ele lhe deu e a fez rolar escada abaixo o que a fez perder o filho que esperava e também a deixou estéril. Tentou afastar as lembranças balançando a cabeça como se elas fossem desprender de seus cabelos e deixá-la em paz. 
Pensou até quando iria sentir aquele vazio em sua vida, suspirou entendendo que aquela era uma ferida na alma,  que jamais iria se livrar daquela dor.
"_ O que houve minha querida? Sinto que está tristonha! Voltaste a pensar nas atrocidades que aquele sacripanta lhe fez não é?"  Perguntou Heitor enquanto pousava as mãos com doçura sobre os ombros dela.
"_ Estava mesmo perdida em meus pensamentos! Nem percebi que se aproximava meu querido." Suspirou novamente virando-se de frente para ele enquanto respondia a sua pergunta:
"_Infelizmente! Eu não quero voltar ao passado mas ele sempre volta." Disse ela quase chorando.
"_Nina! Pare de se culpar e de se martirizar. Não negue sua dor, chore se quiser mas não lute contra os sentimentos que precisam vir à tona. Estou aqui para ouvi-la quantas vezes quiser falar sobre o assunto."
"_ Sei disso, mas parece que falar sobre o assunto só me faz sentir um vazio ainda maior."  

"_Estive pensando em algo desde aquele dia! E...eu acho que temos uma solução para acabar com este vazio."
"_´Que solução?" Perguntou curiosa.
"_Vou perguntar-lhe uma coisa e quero sua sinceridade na resposta!"
"_ Sim, é claro! Responderei com o coração." Ela sorriu desanuviando um pouco o clima tenso.
"_ Bem... O que você acha de adotarmos uma criança?" Perguntou um tanto receoso pela reação da esposa. Ela ergueu seus olhos para alcançar os dele.
"_Eu nunca havia pensado nisso Heitor! " Disse admirada. "_Sim...a resposta é sim! Eu vou adorar ser mãe!"  Abriu-lhe um sorriso em meio a lágrimas pela emoção.  Pulou para alcançar o pescoço dele e abraçá-lo de tanta felicidade. Encheu seu rosto de beijos o que fez Heitor gargalhar. 
"_ Então vamos fazer isso senhora minha esposa. Vamos adotar uma criança! Amanhã mesmo vamos ver como deveremos proceder."

Nina sentiu neste momento que a tristeza que assombrou sua vida por tantos anos estava prestes a  desaparecer  dando lugar ao amor... ao amor de uma criança.

Nina e Heitor adotaram o primeiro filho, dois anos depois o segundo e o último filho a adotarem foi uma menina que ela chamou de Sofhia. 
Viveram muitos anos, viram os filhos casarem serem pais, se tornaram avós. 
A vida de ambos foi sempre de muito amor e carinho um pelo outro!
                      

                                                                      FIM

Nina é uma personagem fictícia, que amo e admiro por sua coragem e determinação em querer viver o amor, ser livre, independente, em um século em que as mulheres eram impedidas de divergir dos dogmas da sociedade e não podiam expressar ou ter opinião própria.
Um tempo em que crianças nascidas do sexo feminino não eram desejadas, mas vistas como uma “moeda de troca” minha filha por um dote.
Eram criadas e educadas para serem boas esposas e mães.
A personagem Nina, sofreu as atrocidades de um homem maldoso, violento, covarde e possessivo que em sua agressividade desmedida levou-a a infertilidade.
Nina enfrentou uma sociedade preconceituosa e machista ao fugir com um homem negro, por acreditar no amor. 
Lutou para ser aceita e conquistar o respeito das pessoas no vilarejo em que se instalou.
Como tantas mulheres, ela foi traída e  abandonada pelo homem que amou.
Ela chorou, sofreu, mas não baixou a cabeça e seguiu em frente, batalhando com dificuldade para manter-se com seu trabalho, sem ter que voltar atrás em suas conquistas.
Agradeço pelo carinho de todos que se dispuseram de seu tempo para ler meu conto. 
Minha enorme gratidão à todos vocês.  

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