segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Por amor - Capítulo XXII

Ilídio bateu na porta da sala de leitura onde Nina estava em seus devaneios, lembrando da visita de Heitor e no beijo que ele  lhe deu, aquele beijo que ela jamais esqueceria. 

“_Licença Nina, fui à cidade e passei pelo correio e tinha esta carta pra você.”

“_Muito obrigada Ilídio. Fora de hora esta carta... é de minha mãe, o que será que aconteceu.” Ela começou a abrir a carta apreensiva.

“_Não há de ser nada de mal, confie Nina, não será nada de mal. Se me da licença, vou deixar você a vontade, qualquer coisa é só chamar.” Ilídio disse com sua simpatia retirando-se da sala.

Havia um mês que ela estava hospedada na casa de campo de Luís e Júlia,  quase isso também da visita de Heitor. Ela abriu a carta que dizia:

"Querida filha

Espero que esta lhe encontre bem e feliz. 
Está gostando do novo lar? 
Eu e seu pai estamos bem, ele como sempre teimoso....

Escrevo fora do período a que estamos acostumadas filha, 
para dar-lhe uma notícia, 
embora não seja a que gostemos de anunciar referente a qualquer pessoa.
É sobre Fabrício, ele  meteu-se em mais uma briga na “casa” que comandava, 
mas nesta briga ele não se deu bem. 
Sinto muito dar-lhe esta notícia assim minha querida, 
mas não encontrei outro modo de fazê-lo. 
Ele foi morto por um dos cliente do bordel. 
Apesar de ser uma notícia fúnebre e triste, não se lamente, filha, dos males o menor.
Agora você está livre, não precisará mais fugir, ou se esconder. 
Poderá viver de verdade. 
Fico por aqui filha deixando um grande abraço meu e de seu pai, pedindo a Deus que a abençoe."

Nina pousou a carta sobre o colo, não conseguiu derramar nenhuma lágrima e sentiu-se mal por isso, ela não desejava a morte de Fabrício.  Ela mesmo se confortou falando sozinha:

"_Erga esta cabeça Nina. Deus tenha misericórdia de sua alma Fabrício e  perdoe todas as atrocidades que você fez, e que possa descansar na eternidade."

Respirou fundo,  sentiu a leveza tomar conta do seu ser. Agora ela estava realmente livre, não precisaria mais se esconder como a mãe lhe dissera na carta.
   
Tudo mudou em uma questão de semanas, agora era realmente o momento de renascer para si mesma, para a vida e para o amor....

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