"A cor do amor"
CAPÍTULO - II
A sua frente em companhia do capataz estava Alfredo seu pai
visivelmente irritado e nervoso ao ver a filha naquele local.
_ Maria Emília, o que vosmecê acha que vai fazer? Pegue seu cavalo, vamos voltar pra casa!
_ Não vou! - Gritou ela
_ Mas o que é isso? Não queira medir forças comigo menina! Disse o pai alterado.
Ela percebeu que havia sido ousada e que deixara o pai mais irritado, por isso baixou o tom da voz.
_ Por favor papai, não me obrigue a fazer isso. Eu não quero...
Seu apelo foi interrompido pela resposta imediata do pai que passava nervosamente a mão na testa suada.
_ Você perdeu o juizo! Vamos embora. Tua mãe está a sua espera!
_ Papai, eu lhe imploro... - Suplicou ela com as mãos em posição de oração.
_ Não me obrigue a casar com Fabrício, ele é um homem asqueroso, eu não gosto dele é maldoso, seu olhar me assusta, não tem brilho. Quando ele está por perto a vida perde a cor... ele não sabe o que é amor.
_ Pare com esta insistência Maria Emília. Amor..amor... o que sabe vosmecê sobre amor? Ainda é uma menina.
Ela permanecia calada, não haveria como mudar o pensamento do pai que continuava falando:
_ Está lendo muitos contos com princesas, fadas madrinhas e finais felizes. Ouça uma coisa Maria Emília o amor é uma utopia que inspira poetas. Fabrício tem uma ótima educação, é jovem, bem apessoado, além de ser filho de um dos fazendeiros mais ricos da região. O que mais vosmecê quer?
Ela chorava enquanto papai continuava a falar:
_ O que pretendia ao ficar se encontrando às escondidas com aquele forro?
Ela arregalou os olhos, como o pai soubera de Jonas? Todas as vezes que saia, se certificava de que não era seguida.
_ Porque fala assim papai? O senhor gostava dele, o estimava assim como a mãe dele.
Ernesto piscou os olhos demoradamente, suspirou e respondeu:
_ Reconheço que é um bom moço, o conheço desde que nasceu, mas não serve para vosmecê, vivem em mundos diferentes, com princípios totalmente opostos. - Disse o pai tentando controlar o cavalo que rodava em torno de si mesmo. _ Imagino que esteja pensando como sei que vosmecês andavam se encontrando? Mandei seguí-la. Não foi preciso mais do que uma única vez Maria Emília.
Ela baixou os olhos como se a buscar coragem...
_ Com Jonas a vida tem cor, eu não quero uma vida em preto e branco que é o que Fabrício me oferece! Papai por favor?
Alfredo estava perdendo a paciência.
_ Pare com isso Maria Emília, pegue agora seu cavalo e venha para casa. Ele... O Jonas, não virá. Está sob minha guarda na fazenda.
Ela o olhou assustada, sabia que o pai não o machucaria, mas provavelmente o mandaria para longe e ela nunca mais saberia nada dele.
_ Vosmecê é quem sabe, se não quer voltar, não volte. Tomarei minhas providências com relação ao que fazer com ele se em uma hora Vosmecê não estiver casa Maria Emília.
Dizendo isto saiu a galope em direção a casa grande, sendo seguido pelo capataz.
Transtornada e aos prantos,
ela deixou-se cair de joelhos no chão, sobre a terra ainda molhada pela chuva da manhã.....
Continua...
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