Lembrou-se que já estavam no Brasil, da recepção no porto por seus pais, Dona Júlia e Dr. Luiz que após o almoço de boas vindas partiram. Ela e Heitor preferiram deixar a viagem para a manhã do dia seguinte.
Ele virou-se com a bandeja nas mãos e surpreendeu-se com os olhos dela a observá-lo.
"_ Bom dia! Dormiu bem? "Perguntou ele com aquele sorriso maravilhoso.
"_Sim, muito bem!" Respondeu-lhe enquanto ele colocava a bandeja em seu colo.
"_Mas... que gentileza amor! Há tantos anos não sou servida na cama. Alias, desde que sai da casa de meus pais, somente Geralda me serviu na primeira manhã na casa de campo do Dr. Luiz."
"_ Você merece, queria fazer-te uma surpresa, mas quando vi já estava com os olhos arregalados." explicou-lhe Heitor animado.
"_ Meu amor! Sou tão grata a Deus por tê-lo colocado em minha vida, és um presente de Deus!" Confessou a ele com a voz embargada pela emoção. Percebendo sua sensibilidade Heitor desconversou!
"_Muito bem minha querida, tome seu café, se arrume para partirmos! Se não houver imprevistos estaremos em casa ao anoitecer, a viagem é puxada!" Ele falou tocando-lhe o rosto com carinho.
Já estavam perto da fazenda quando a carruagem parou e o cocheiro avisou-os que havia uma árvore bloqueando a passagem. Heitor desceu e ambos foram retirá-la do caminho, Nina esperava na carruagem. A árvore não era muito grande e a retiraram com facilidade.
"_ Vamos seguir!" Ordenou ele ao cocheiro entrando na carruagem e ajeitando-se ao lado dela. Pouco depois de reiniciarem a viagem avistaram uma grande construção que mais parecia um mosteiro.
"_Heitor Olhe!" Nina chamou-lhe a atenção para uma pessoa toda coberta que se dirigia ao casarão. Ambos ficaram observando a pessoa aproximar-se do local e girar uma espécie de tambor embutido na parede onde colocou algo enrolado em uma mantilha. em seguida ouviram o soar um sino. Viram a pessoa correr rapidamente escondendo o rosto, não saberiam dizer se seria homem ou mulher, pois a capa cobria-lhe até a cabeça.
Eles se olharam calados. Heitor comentou com um suspiro de desaprovação ao que acabaram de presenciar.
"_Está é a * Roda dos enjeitados Nina."
Nina já havia ouvido falar sobre a roda dos enjeitados. Chocou-se ao presenciar aquele ato e saber que uma criança estava sendo deixada, abandonada em um"tambor" enquanto ela havia muito desejado ter podido ser mãe.
"_Está é a * Roda dos enjeitados Nina."
Nina já havia ouvido falar sobre a roda dos enjeitados. Chocou-se ao presenciar aquele ato e saber que uma criança estava sendo deixada, abandonada em um"tambor" enquanto ela havia muito desejado ter podido ser mãe.
"_ Esta pessoa colocou uma criança lá Heitor? Rejeitou um bebê, sangue do seu sangue, como pôde fazer isso?" Percebendo a grande tristeza de sua esposa, Heitor pegou-lhe a mão carinhosamente.
"_Infelizmente minha querida! Não posso explicar-te o que leva alguém a fazer isso. Na maioria das vezes não é a mãe que abandona a criança aqui, mas um empregado ou até mesmo a parteira a mando de alguém que por algum motivo não quer a criança por perto."
Um longo e doloroso silêncio se fez até que ele o quebrasse lamentando:
"_ Me perdoe querida, não há outro caminho para chegarmos a fazenda. Sinto muito por isso! Sei que trouxe-lhe desagradáveis lembranças minha Nina!"
Ela enxugou discretamente uma lágrima, não queria que Heitor a visse chorando, além do mais seria está a primeira noite de casados em casa depois de dois meses em Lua de mel. Respirou profundamente e virando para ele deu um discreto sorriso e falou:
"_ Pronto, passou! Não poderei fugir de tudo que me lembrar meu passado meu anjo. Esqueçamos isso! Não vejo a hora de chegarmos em casa!" Comentou tentando esquecer o acontecido.
Heitor devolveu-lhe o sorriso, admirava a forma com que Nina se recuperava dos altos e baixos que a vida lhe havia colocado, apesar de sua aparência delicada e frágil, ela era sim uma mulher forte! ....
*A roda dos enjeitados consistia num mecanismo utilizado para abandonar (expor ou enjeitar na linguagem da época) recém-nascidos que ficavam ao cuidado de instituições de caridade. O mecanismo, em forma de tambor ou portinhola giratória, embutido numa parede, era construído de tal forma que aquele que expunha a criança não era visto por aquele que a recebia.As primeiras Santas Casas de Misericórdia da América Portuguesa que receberem a roda dos expostos foram as de Salvador (1726) e a do Rio de Janeiro (1738).
Ela enxugou discretamente uma lágrima, não queria que Heitor a visse chorando, além do mais seria está a primeira noite de casados em casa depois de dois meses em Lua de mel. Respirou profundamente e virando para ele deu um discreto sorriso e falou:
"_ Pronto, passou! Não poderei fugir de tudo que me lembrar meu passado meu anjo. Esqueçamos isso! Não vejo a hora de chegarmos em casa!" Comentou tentando esquecer o acontecido.
Heitor devolveu-lhe o sorriso, admirava a forma com que Nina se recuperava dos altos e baixos que a vida lhe havia colocado, apesar de sua aparência delicada e frágil, ela era sim uma mulher forte! ....
*A roda dos enjeitados consistia num mecanismo utilizado para abandonar (expor ou enjeitar na linguagem da época) recém-nascidos que ficavam ao cuidado de instituições de caridade. O mecanismo, em forma de tambor ou portinhola giratória, embutido numa parede, era construído de tal forma que aquele que expunha a criança não era visto por aquele que a recebia.As primeiras Santas Casas de Misericórdia da América Portuguesa que receberem a roda dos expostos foram as de Salvador (1726) e a do Rio de Janeiro (1738).
Nenhum comentário:
Postar um comentário