"A cor do amor"
IV capítulo
Nina contou o ocorrido a mãe, que repudiando o comportamento de Fabrício, contou ao marido e tentou interceder pela filha, porém Alfredo não lhe deu ouvidos.
O compromisso com Fabrício continuou e deixava a cada dia Nina mais triste, não tinha mais a alegria de antes, sua vida estava sem cor.
Nunca mais havia visto ou saído para cavalgar com Jonas, soube que a mãe dele havia morrido, mas não imaginava seu paradeiro.
Alguns meses se passaram e uma tarde Nina saiu sozinha para passear nos arredores da casa. Ouvindo um assobio, virou-se para ver quem era; sua face se iluminou ao ver Jonas acenando para ela atrás de uma árvore, correu ao seu encontro e se jogou em seus braços.
A alegria de ambos foi tão grande que o primeiro beijo aconteceu ali mesmo, sem esperar ou planejar, apenas aconteceu, numa explosão de amor e carinho verdadeiros.
Depois do caloroso beijo, ficaram envergonhados pelo que acabara de acontecer. Eles nunca haviam se tocado tão intimamente, até este dia eram apenas bons amigos de cavalgada e nada mais.
Tentando parecer natural perguntou:
_ Por onde andou? Não os vi mais depois que saíram daqui.
_ Estou no mesmo lugar, na cabana de caça que era do seu avô. Seu pai não contou?
_ Não... meu pai nada me falou sobre isso. Soube da morte de sua mãe, sinto muito Jonas.
Ouvi os empregados comentando, mas ninguém soube me dizer onde encontrá-los!
Jonas baixou a cabeça antes de continuar.
_ Minha mãe se entregou depois que tivemos que sair daqui, mas é a vida.
_Mas porque saíram daqui? Poderiam ter continuado a morar conosco mesmo sendo livres.
Jonas balançou a cabeça negativamente:
_ Acho que vosmecê não sabe o porquê de termos sido alforriados não é mesmo Nina?
_ Oras, foi um presente de aniversário para sua mãe... não foi?
Ela perguntou intrigada.
_ Este foi o motivo que o sr.Alfredo arranjou para nós colocar fora daqui.
_ Como? O que está querendo dizer Jonas?
_ Lembra-se dos nossos dois últimos passeios a cavalo?
_ Sim, claro que me lembro!
_ Vosmecê não percebeu, mas o sr. Fabrício nos observava da janela da biblioteca.
Ela ficou séria e com medo do que ouviria a seguir:
_ Não o vi e nem percebi. Mas... o que isso tem a ver com a saída de vosmecês daqui?
_ Foi a condição do sr. Fabrício, para casar com a sinhazinha, eu e a minha mãe tínhamos que sair daqui. Foi quando vosso pai nos ofereceu a cabana.
Ela estava atônita, incrédula e inconformada. Seu pai estava sendo manipulado, que poder era este que o crápula do Fabrício exercia sobre o pai?
Jonas percebeu que ela estava transtornada.
_ Sei que vosmecê tem compromisso com sr. Fabrício mas não me parece feliz com isso.
_ Ahh Jonas... estou desesperada! Não estou feliz.... fui obrigada a aceitar este...este... o Fabrício. Não vai ser possível contar-lhe tudo agora. Vou visitá-lo na cabana assim que puder, então lhe contarei tudo; preciso me livrar deste homem. Fabrício é um homem mal, minha vida tem sido um tormento ...
Um grito entrou como uma espada em seus ouvidos:
_ MARIA EMÍLIAA...
Num piscar de olhos Fabrício já estava ao lado deles, golpeou o rosto de Jonas que foi ao chão desfalecido. Vendo-o ali com o rosto sangrando, ela gritava por seu nome enquanto era arrastada com brutalidade por Fabrício pelo braço. Ele a encostou no muro que ladeava a casa segurando-a com força os pulsos.
_ O que vosmecê pensa que está fazendo? -Disse ele com os dentes serrados pelo rancor.
_ Me solte, está me machucando, me solte!
Gritou ela enquanto olhava preocupada para Jonas caído desacordado.
Contínua....
Nenhum comentário:
Postar um comentário