segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Por amor - capítulo IX

_ Minha sogra, que surpresa encontrá-la aqui. 
_Sr. Fabrício! A surpresa foi minha ao não vê-lo aqui diante de uma situação como esta. Meus parabéns pelo bebê! 
_ Obrigada senhora Madalena. Mas me diga como está Alfredo? 
_ Está bem! Embora aborrecido por vocês não terem mais ido nós visitar. 
_ Não faltará oportunidade minha cara, em breve faremos uma visita. 
Ele olhou para Nina e voltou a falar com a sogra. _ Agora acho que Maria Emília precisa repousar. Concluiu apontando a porta para que Madalena saísse.
Ao chegar em casa, Madalena foi ter com o marido. 
_ Sr. meu marido, precisamos conversar! 
_ O que é agora Madalena? Vai me atormentar de novo com as reuniões da loja? É somente uma vez por semana e só homens participam! Comentou Alfredo um tanto brincalhão. 
_ Alfredo pare de brincadeira, o assunto é muito sério! 
_ O que houve? Quando cheguei não a encontrei e disseram que vieram chamá-la da parte de Fabrício! 
Madalena inquietou-se.
_ Da parte de Fabrício!  - Ela desdenhou - Ela suspirou antes  de continuar. _ Fabrício sequer estava lá. Chegou horas depois e praticamente me expulsou de lá! 
_ O que está me dizendo?  - Alfredo sentou-se frente a esposa. _ Fabrício a desrespeitou, o que aconteceu, porque a chamaram lá? Por Deus fale logo! 
_ Nina está esperando um filho. 
_ Mas que notícia maravilhosa! Alfredo abriu um sorriso que durou pouco. Madalena falou da preocupação com a saúde da filha, por sua aparência magra e abatida. Contou também que Nina não saia de casa desde o casamento.  Os dois ficaram surpresos, pois não haviam recebido nenhuma sequer. 

.....Atualizando......

Nina estava feliz, apesar de abatida. Estava feliz por saber que teria agora um filho, não mais se sentiria tão sozinha, teria alguém para amar e se dedicar.
Olhou para fora da janela, o dia estava bonito, ao se vestir admirou sua imagem no espelho, estava agora com uns dois meses de gravidez, e
stava casada com Fabrício haviam três longos meses, e ele sequer esboçou uma reação ao saber que seria pai.
Ela acariciou a barriga ainda imperceptível e disse como se o bebê estivesse ouvindo:
_ Meu amor, eu protegerei você!
Desceu as escadas e foi em direção a porta.
A governanta já tirava o avental para acompanhá-la, quando Nina a impediu.
"_ Não precisa Filomena, estou bem! Vou sozinha, quero andar, respirar ar puro, o dia está lindo!"
"_ Mas senhora..."
"_ Já lhe disse, cuide de seus afazeres, não se preocupe comigo."
Fechou a porta atrás de si, deixando a governanta com ar preocupado.
Uma hora depois ela voltou, sentindo-se muito bem, feliz e sorrindo para si mesma enquanto pensava no filho que carregava no ventre, como seria seu rostinho?   
Ao Chegar de frente a porta de entrada subiu as escadas e sentou-se no último degrau; ficou admirando a natureza, as árvores, as flores, os pássaros, enquanto sentia o sol suavemente aquecendo o rosto. Estava em estado de graça.
Uma voz a tirou de sua paz, assustada ela virou-se.
"_Posso saber onde a senhora estava?"  
A voz atrás dela a fez tremer, o medo tomou conta dela. Era Fabrício, ela levantou-se apoiando as costas com as mãos e respondeu:
"_ Eu fui passear pelo jardim, tomar sol e aproveitar o dia lindo que esta fazendo!"

Nina explicou forçando um riso.
"_Eu não mandei que só saísse de casa em companhia da governanta?" Disse ele com seu tom agressivo e insuportavelmente frio.
"_ Mas não há necessidade, eu andava pelo jardim apenas, não atravessei os portões da casa, nem me aproximei da estrada."
Neste momento, tomado pela ira, Fabrício deu-lhe um chute na perna desequilibrando-a, fazendo com que  ela rolasse escada à baixo.

Atordoada como se estivesse num sonho, olhoi para Fabrício, sentia muita dor.
"_ Senhor, por favor me ajude a lenvantar!"
Ele ignorou seu pedido.
Chorando de revolta, ódio e todos os piores sentimentos que poderia sentir uma mãe que tem seu filho ameaçado, perguntou à ele:
"_Porque fez isso? Estou esperando um filho seu?"  Disse chorando com dor na alma e no corpo, inconformada com a maldade do homem a sua frente.
"_ Será mesmo que o filho é meu?" Fabrício respondeu sorrindo irônica e maldosamente.
"_ Deve ser do seu namoradinho... eu tenho olhos verdes! Vamos ver se é meu mesmo quando nascer!"
Dando as costas para ela, entrou em casa sem socorrê-la.
Nina gritou desesperadamente até Filomena surgir, a governanta gritou chamando o capataz que veio correndo  em socorro à elas...



Filomena juntamente com o capataz a carregaram para dentro de casa. 
"_Vá chamar o Dr. Barros, diga que é urgente... chame também a mãe da sinhá"  Disse Filomena ajeitando a patroa na cama.
"_Vá rápido, ela está perdendo muito sangue."
Fabrício ouvindo a governanta dar as ordens ao capataz, não se importando pegou seu chapéu e saiu sem dizer para onde iria e sem sequer se preocupar com o estado de sua esposa.
O médico ficou muito tempo no quarto com Nina e a governanta. Quando saiu, com a fisionomia pesada e  pesarosa. 
Madalena o esperava, levantou-se e foi a seu encontro ávida por notícias. O médico olhou para a mãe de Nina e anunciou:
_ Ela perdeu o bebê. 
Sinto muito senhora... a queda foi feia. Infelizmente, ela não poderá mais ter filhos!
O médico suspirou...
_ Precisará muito do apoio de todos vocês. 
A mãe de nina sentou-se chorando inconformada, Filomena que descia as escadas a amparou e serviu-lhe água. Mais calma indagou a governanta:
_ Filomena! Me acompanhe precisamos falar! - A mãe de Nina pressionou-a descobrindo assim todas as atrocidades que Fabrício fazia com a filha.
Inconformada e extremamente irritada por ver o estado da filha, decidiu que a ajudaria a se livrar do martírio que era seu casamento. 

Enxugando as lágrimas, recompôs-se e entrou no quarto onde a filha se recuperava. 
Encontrou Nina adormecida, sentou-se ao lado dela e acariciou-lhe o rosto. Ela despertou com seu toque suave e inconfundível.
_ Meu amor, como está se sentindo?" Perguntou-lhe a mãe.
_ Mamãe... eu não cai da escada, ele...
A mãe lhe fez sinal de silêncio e disse calmamente:
_ Não precisa dizer nada filha, conversei com Filomena, já sei de tudo. Esqueça isso agora, Já pedi que Filomena arrume suas malas, você vai para casa comigo. 
Nina olhou para a mãe com a expressão de alívio e medo, mas nada falou. Madalena continuou:
_Não a deixarei mais nenhum dia com este homem. Ele é doente, ele é um louco!
Nina abraçou a mãe, estava feliz em saber que não seria novamente humilhada e usada por Fabrício, nunca virá um homem tão frio e sem sentimentos como ele.
Ao entrar na casa grande, Nina não disse palavra alguma, dirigiu-se para o quarto que fora dela quando solteira, esticou-se sobre a cama macia e adormeceu. Pela primeira vez em três meses ela teria uma noite de sono tranquilo, sem o medo constante de ser acordada em meio a madrugada com a agressão  de Fabrício.
Ela desceu para o café da manhã, 
o pai se aproximou dela e a abraçou carinhosamente.
_ Filha, sinto muito por tudo isso, sua mãe me contou os absurdos que esteve vivendo. Me perdoe. Me recusei a ouvir quando me pedia. Eu... eu não consegui enxergar quem realmente era Fabrício. Perdoe-me por favor pela minha atitude.  A casa é sua, aqui estará protegida!"
Os meses se passaram. Fabrício havia ido várias vezes a casa dos pais dela fazer seus escândalos. Ameaçava, gritava, sempre fazia isso em estado de grande embriaguez; seus repentes já haviam se tornado comuns desde que sairá de casa.
Soube tempos depois, que Fabrício havia levado outra mulher para morar com ele, fazia festas e orgias todas as noites. 
A sensação de não ter mais que dividir o mesmo teto com aquele homem a fez sentir-se leve, livre da opressão daquele que não queria nunca mais nem ouvir o nome.
Certa tarde Nina foi até a choupana, em seu íntimo tinha a esperança de que Jonas ainda morasse lá. Encontrou a casa vazia, percebeu que estava abandonada e chorou!
Sentou-se em uma das cadeiras e olhava ao seu redor relembrando as alegrias, os momentos felizes com Jonas, os risos e conversas, tudo que eles viveram naquele lugar.
Levantou-se pois já ia começar a entardecer, olhou pela última vez com tristeza para dentro e fechou a porta.  Ao virar-se para ir embora, viu Jonas parado logo a sua frente....
Jonas era um homem muito bonito, traços fortes e estava elegantemente  vestido, ela aproximou-se dele que a abraçou com carinho, recompensando todo seu sofrimento. 
Olhando em seus olhos, ele confidenciou:
"_Venho sempre aqui! No mesmo horário todos os dias, não deixei de vir um só dia, na esperança de que você viesse até aqui. Alguma coisa me dizia que você viria!"
Os dois se abraçaram novamente, e ficaram conversando um bom tempo, falaram sobre muitas coisas. 
Ela contou- lhe tudo que havia acontecido, ele de seus planos. 
"_ Já está entardecendo, preciso ir." Disse ela tocando o ombro de Jonas.
"_Vou acompanhá-la! Pelo menos até a entrada da casa. Isto é... Se não for criar problemas para você."
Ela sorriu: "_ Você vai entrar comigo, vou colocar você no lugar que sempre deveria ter ocupado... ao meu lado à mesa de jantar." 
Ele sorriu, puxou-a para junto de si e a beijou com carinho.
Nina entrou em casa levando Jonas pela mão, seus pais olharam um para o outro com surpresa. E após um breve silêncio, o pai de Nina gentilmente apontou à Jonas a cadeira e ela sentou-se ao lado dele.
Conversavam enquanto o jantar era servido. 
Naquele momento de harmonia seus pais sentiram que uma nova vida começaria para a filha e ela tinha certeza disso. 
Após o jantar Nina chamou a mãe para o quarto, queria conversar, contar seus planos; enquanto Jonas ficou com o pai dela. 
Um tempo depois ambas desceram e se juntaram a eles na antesala.
"_Então Jonas e Nina tem planos?" _ Disse Alfredo oferecendo um o cálice com licor ao jovem....



Nina tomou a frente e respondeu ao pai: _Sim papai, já conversei com mamãe. Vou me unir a Jonas. Temos uns planos, ou melhor, Jonas me contou o que pretende fazer e... decidimos ter uma nova vida... juntos.
Ela olhou para Jonas e colocou sua mão de sobre a dele antes de continuar.
_Vamos para outro lugar, onde eu possa refazer minha vida, onde não me conheçam e nem a minha história.
Alfredo sentou-se ao lado de Madalena, mãe de Nina. E dirigindo o olhar a esposa perguntou: 
_ O que você acha disso!
Madalena era uma mulher otimista, alegre, e quando as coisas estavam bem se permitia sorrir sem reservas. Ela abriu um belo sorriso olhando para o casal que estava a sua frente e respondeu: 
_ Eu acho que nossa filha merece ser feliz! Refazer a vida longe das línguas e olhares maldosos. Sim, eu acho maravilhoso!
Alfredo levantou-se, caminhou até os dois e parando diante deles e pousou cada mão sobre o ombro de ambos.
_ Vocês tem certeza de que não querem ficar aqui? A casa é grande e somos só eu e sua mãe!
_ Sim papai, temos certeza. É melhor respirar outros ares, buscar novas oportunidades e principalmente ter paz... o senhor sabe do que estou falando! - Ela referia-se ao inconveniente Fabrício em suas crises de possessividade. 
Alfredo respirou fundo e concluiu: 
_ Se vocês decidiram assim, tem a minha benção... Façamos um brinde! 
Os dias se passaram rapidamente enquanto se preparavam para a viagem.
....





Finalmente o dia chegou. 
Dirigiram-se à porta, era o momento de despedir-dos pais de Nina. Ela  abraçou a mãe, as lágrimas escorreram por seu rosto. 
_ Eu escreverei mamãe!
Seu pai aproximou-se de Jonas, deu-lhe um pequeno alforje, e recomendou:
_Esta é uma pequena quantia para que se estabeleçam, faça minha filha feliz Jonas!!!
Sorriu-lhe apertando a mão.
_ Papai, obrigada por tudo!
_ Seja feliz filha... mande notícias. Vocês poderiam levar a carruagem, ir a cavalo é uma ideia estapafúrdia. 
_ Papai, só iremos até a estação, depois o trem nos levará.
Nina montou na garupa de Jonas e agarrando-se a sua cintura acenou em adeus e seguiram juntos. Finalmente
, uma nova vida. Ela sabia que não seria fácil,  mas o amor que tinham um pelo outro superaria qualquer barreira...


Nenhum comentário:

Postar um comentário