segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Por amor - Último capítulo

Nina encostou-se na parede da varanda, o sol estava se pondo e ela estava perdida em seus pensamentos, com o  olhar fixo em algum ponto do jardim. Lembrou-se do que viu no dia em que retornavam para casa. Da criança abandonada no tambor. 
Lembrou-se de tudo que havia passado nas mãos de Fabrício, do chute que ele lhe deu e a fez rolar escada abaixo o que a fez perder o filho que esperava e também a deixou estéril. Tentou afastar as lembranças balançando a cabeça como se elas fossem desprender de seus cabelos e deixá-la em paz. 
Pensou até quando iria sentir aquele vazio em sua vida, suspirou entendendo que aquela era uma ferida na alma,  que jamais iria se livrar daquela dor.
"_ O que houve minha querida? Sinto que está tristonha! Voltaste a pensar nas atrocidades que aquele sacripanta lhe fez não é?"  Perguntou Heitor enquanto pousava as mãos com doçura sobre os ombros dela.
"_ Estava mesmo perdida em meus pensamentos! Nem percebi que se aproximava meu querido." Suspirou novamente virando-se de frente para ele enquanto respondia a sua pergunta:
"_Infelizmente! Eu não quero voltar ao passado mas ele sempre volta." Disse ela quase chorando.
"_Nina! Pare de se culpar e de se martirizar. Não negue sua dor, chore se quiser mas não lute contra os sentimentos que precisam vir à tona. Estou aqui para ouvi-la quantas vezes quiser falar sobre o assunto."
"_ Sei disso, mas parece que falar sobre o assunto só me faz sentir um vazio ainda maior."  

"_Estive pensando em algo desde aquele dia! E...eu acho que temos uma solução para acabar com este vazio."
"_´Que solução?" Perguntou curiosa.
"_Vou perguntar-lhe uma coisa e quero sua sinceridade na resposta!"
"_ Sim, é claro! Responderei com o coração." Ela sorriu desanuviando um pouco o clima tenso.
"_ Bem... O que você acha de adotarmos uma criança?" Perguntou um tanto receoso pela reação da esposa. Ela ergueu seus olhos para alcançar os dele.
"_Eu nunca havia pensado nisso Heitor! " Disse admirada. "_Sim...a resposta é sim! Eu vou adorar ser mãe!"  Abriu-lhe um sorriso em meio a lágrimas pela emoção.  Pulou para alcançar o pescoço dele e abraçá-lo de tanta felicidade. Encheu seu rosto de beijos o que fez Heitor gargalhar. 
"_ Então vamos fazer isso senhora minha esposa. Vamos adotar uma criança! Amanhã mesmo vamos ver como deveremos proceder."

Nina sentiu neste momento que a tristeza que assombrou sua vida por tantos anos estava prestes a  desaparecer  dando lugar ao amor... ao amor de uma criança.

Nina e Heitor adotaram o primeiro filho, dois anos depois o segundo e o último filho a adotarem foi uma menina que ela chamou de Sofhia. 
Viveram muitos anos, viram os filhos casarem serem pais, se tornaram avós. 
A vida de ambos foi sempre de muito amor e carinho um pelo outro!
                      

                                                                      FIM

Nina é uma personagem fictícia, que amo e admiro por sua coragem e determinação em querer viver o amor, ser livre, independente, em um século em que as mulheres eram impedidas de divergir dos dogmas da sociedade e não podiam expressar ou ter opinião própria.
Um tempo em que crianças nascidas do sexo feminino não eram desejadas, mas vistas como uma “moeda de troca” minha filha por um dote.
Eram criadas e educadas para serem boas esposas e mães.
A personagem Nina, sofreu as atrocidades de um homem maldoso, violento, covarde e possessivo que em sua agressividade desmedida levou-a a infertilidade.
Nina enfrentou uma sociedade preconceituosa e machista ao fugir com um homem negro, por acreditar no amor. 
Lutou para ser aceita e conquistar o respeito das pessoas no vilarejo em que se instalou.
Como tantas mulheres, ela foi traída e  abandonada pelo homem que amou.
Ela chorou, sofreu, mas não baixou a cabeça e seguiu em frente, batalhando com dificuldade para manter-se com seu trabalho, sem ter que voltar atrás em suas conquistas.
Agradeço pelo carinho de todos que se dispuseram de seu tempo para ler meu conto. 
Minha enorme gratidão à todos vocês.  

Por amor - Capítulo XXVII

Nina acordou com o cheiro do café que invadia o quarto!  Virou-separa procurar Heitor e o viu perto da mesa de café. 
Lembrou-se que já estavam no Brasil,  da recepção no porto por seus pais, Dona Júlia e Dr. Luiz que após o almoço de boas vindas partiram. Ela e Heitor preferiram deixar a viagem para a manhã do dia seguinte. 
Ele virou-se com a bandeja nas mãos e surpreendeu-se com os olhos dela a observá-lo.

"_ Bom dia! Dormiu bem? "Perguntou ele com aquele sorriso maravilhoso.

"_Sim, muito bem!" Respondeu-lhe enquanto ele colocava a bandeja em seu colo. 
"_Mas... que gentileza amor! Há tantos anos não sou servida na cama. Alias, desde que sai da casa de meus pais, somente Geralda me serviu na primeira manhã na casa de campo do Dr. Luiz." 

"_ Você merece, queria fazer-te uma surpresa, mas quando vi já estava com os olhos arregalados." explicou-lhe Heitor animado.

"_ Meu amor! Sou tão grata a Deus por tê-lo colocado em minha vida, és um presente de Deus!" Confessou a ele com a voz embargada pela emoção.  Percebendo sua sensibilidade Heitor desconversou!

"_Muito bem minha querida, tome seu café, se arrume para partirmos! Se não houver imprevistos estaremos em casa ao anoitecer, a viagem é puxada!" Ele falou tocando-lhe o rosto com carinho.

Já estavam perto da fazenda quando a carruagem parou e o cocheiro avisou-os que havia uma árvore bloqueando a passagem. Heitor desceu e ambos foram retirá-la do caminho, Nina esperava na carruagem. A árvore não era muito grande e a retiraram com facilidade.

"_ Vamos seguir!" Ordenou ele  ao cocheiro entrando na carruagem e ajeitando-se ao lado dela. Pouco depois de reiniciarem a viagem avistaram uma grande construção que mais parecia um mosteiro.

"_Heitor Olhe!" Nina chamou-lhe a atenção para uma pessoa toda coberta que se dirigia ao casarão. 
Ambos ficaram observando a pessoa aproximar-se do local e girar uma espécie de tambor embutido na parede onde colocou algo enrolado em uma mantilha. em seguida ouviram o soar um sino.  Viram a pessoa correr rapidamente escondendo o rosto, não saberiam dizer se seria homem ou mulher, pois a capa cobria-lhe até a cabeça.
Eles se olharam calados. Heitor comentou com um suspiro de desaprovação ao que acabaram de presenciar.

"_Está é a * Roda dos enjeitados Nina."

Nina já havia ouvido falar sobre a roda dos enjeitados. 
Chocou-se ao presenciar aquele ato e saber que uma criança estava sendo deixada, abandonada em um"tambor" enquanto ela havia muito desejado ter podido ser mãe. 

"_ Esta pessoa colocou uma criança lá Heitor? Rejeitou um bebê, sangue do seu sangue, como pôde fazer isso?"  Percebendo a grande tristeza de sua esposa, Heitor pegou-lhe a mão carinhosamente.

"_Infelizmente minha querida! Não posso explicar-te o que leva alguém a fazer isso. Na maioria das vezes não é a mãe que abandona a criança aqui, mas um empregado ou até mesmo a parteira a mando de alguém que por algum motivo não quer a criança por perto."
Um longo e doloroso silêncio se fez até que ele o quebrasse lamentando:
"_ Me perdoe querida, não há outro caminho para chegarmos a fazenda. Sinto muito por isso! Sei que trouxe-lhe desagradáveis lembranças minha Nina!"

Ela enxugou discretamente uma lágrima, não queria que Heitor a visse chorando, além do mais seria está a primeira noite de casados em casa depois de dois meses em Lua de mel. Respirou profundamente e virando para ele deu um discreto sorriso e falou:

"_ Pronto, passou! Não poderei fugir de tudo que me lembrar meu passado meu anjo. Esqueçamos isso! Não vejo a hora de chegarmos em casa!" Comentou 
tentando esquecer o acontecido.

Heitor devolveu-lhe o sorriso, admirava a forma com que Nina se recuperava dos altos e baixos que a vida lhe havia colocado, apesar de sua aparência delicada e frágil, ela era sim uma mulher forte! ....




*A roda dos enjeitados consistia num mecanismo utilizado para abandonar (expor ou enjeitar na linguagem da época) recém-nascidos que ficavam ao cuidado de instituições de caridade. O mecanismo, em forma de tambor ou portinhola giratória, embutido numa parede, era construído de tal forma que aquele que expunha a criança não era visto por aquele que a recebia.As primeiras Santas Casas de Misericórdia da América Portuguesa que receberem a roda dos expostos foram as de Salvador (1726) e a do Rio de Janeiro (1738).

Por amor - capítulo XXVI

Uma batida na porta interrompeu o momento delicioso que estavam vivendo naquele momento. Heitor suspirou afastando seus lábios dos dela a contragosto.
"_Deve ser o nosso jantar. Poderia ter atrasado um pouco, eu não iria reclamar!" Disse ele com sorriso malicioso soltando-a e indo em direção à porta.
"_Boa noite Senhor,  o seu jantar!" Anunciou o garçom entrando com a mesinha móvel e colocando-a no centro da saleta, seguindo a indicação de Heitor ajeitou os pratos, talheres e taças, abriu a garrafa de vinho!
"_Posso servi-los senhor?" Perguntou o garçom.
"_Não é necessário! Nós mesmos nos serviremos, obrigado!" Acompanhou o rapaz à porta e dispensou-lhe dando-lhe uma gorjeta."_Venha meu amor, sente-se."  Chamou-a enquanto puxava a cadeira gentilmente para que ela se sentasse. "_Espero que goste da minha escolha!"
"_Obrigada querido! É certo que  aprovarei, já conheces bem minhas preferências."
Ele pegou a garrafa de vinho e  os serviu.
"_Um brinde ao amor?" Ele perguntou
"_Sim, um brinde ao amor, ao nosso amor!"
O tilintar das taças sempre a deixava apreensiva, não era acostumada a beber, tinha medo de  se liberar demais. Mas...aquele era um momento único e ela iria comemorar. Levou a taça cuidadosamente até os lábios e provou o vinho de sabor delicado.
"_Gostou? É um vinho da melhor qualidade!" Ele comentou.
"_Sim, muito bom!  Embora eu não esteja acostumada a beber percebe-se que é de excelente qualidade."
"_Então... aproveite minha querida!"
"_Preciso tomar cuidado para não ficar zonza." Ela respondeu com sorriso nos lábios.
"_Vamos comer, assim não ficará zonza." Sugeriu ele.
"_É uma ótima ideia. Vamos jantar!" Sorriu ela com cara de alerta à ele pela falta de hábito que ela tinha em beber.
Ao terminarem o jantar ela elogiou:"_O jantar foi maravilhoso! Já me conheces bem meu senhor marido." 
"_Sim! Eu já a conheço bem meu amor, apesar de pouco tempo tenho a impressão de conhecê-la à anos!" Revelou. 
Entre conversas, risos, taças de vinho e planos para os passeios da manhã seguinte, ela o alertou: 
"_Heitor! É melhor eu não beber mais, já estou me sentindo ruborizada, meu rosto está fervendo." Ela disse rindo alto.
"_Esqueça isso minha querida! Relaxe, fique zonza, alegre e caia nos meus braços eu a segurarei com muito prazer, a noite é nossa!"
Eles tomaram mais uma taça de vinho seus olhos se encontraram e se fitaram por um delicioso tempo, o suficiente para que ambos não resistissem mais a ficar distantes um do outro. Não precisaram de palavras para dizer um ao outro o quanto estavam apaixonados, olhavam-se com uma cumplicidade que pareciam ler os pensamentos um do outro.
Ele se levantou, foi até o aparador onde pegou a caixinha e voltou parando frente a ela e abriu a caixa mostrando seu conteúdo.
"_Para você minha querida! Como um símbolo da minha alegria por tê-la ao meu lado."
"_Heitor! É a coisa mais linda que já vi... Heitor... obrigada meu querido. Nem sei como agradecer."  Exclamou ela surpresa com a beleza do presente, uma gargantilha de ouro com pequenas flores de ametista cravejado de diamantes que formavam o miolo da flor, no fecho um coração de ouro gravado seu nome.
Ele a levou até o espelho, virou-a de costas para ele enquanto fechava a gargantilha no pescoço dela
"_Agradeça-me sendo sempre como é minha querida! Não mude nada e me ame como tem me amado! Não preciso de mais nada. Pronto! Ficou maravilhoso, como eu imaginava!"
Ele colocou as mãos em seus ombros e perguntou:
  "_Gostou minha linda senhora?"  Ela admirava o reflexo no espelho, virou-se de frente para ele e pousando as mãos em seu peito respondeu:
"_Adorei Heitor! É lindíssimo obrigada!"
Aproximou seus lábios aos dela e a beijou. De súbito ele a pegou nos braços e a levou para o quarto...

Por amor - capítulo XXV





"-_Como pode... em uma mesma flor haver duas cores diferentes?"  Nina perguntou à Heitor enquanto olhava o bouquet de pequenas flores plantadas nas laterais do passeio às margens do Rio Sena.
"_São caprichos da natureza minha querida, tão bela perfeição é obra divina e não pagamos nada por este espetáculo." Respondeu-lhe.
"_Gosto do que é simples...muitas vezes é o mais bonito." Comentou ela enquanto continuavam sua caminhada.

"-E eu não sei Nina? Foi isso o que mais me atraiu em você a primeira vez que nos vimos. Sua simplicidade e espontaneidade, além da sua beleza estonteante!"  Heitor parou de frente á ela e aproximando seus lábios sussurrou em seu ouvido  "_ Você me encantou menina!"
"_Assim não é justo..." respondeu ela ofegante ao sentir o calor dos lábios de  Heitor, fechando os olhos continuou "_Sabe que me deixa a sua mercê quando toca meu pescoço com sua boca!"
"_Sei.  E é o que quero que faça...desmanche-se toda em mim." Ele disse continuando o caminho de beijos até encontrar os lábios dela e dar-lhe um beijo leve.
"_Agora vamos, reservei o jantar em nossa suite. Hoje não quero ninguém me bajulando." Completou ele brincalhão. "_Só você! Minha esposa, minha doce e linda Nina!" 
Ao chegarem ao hotel, Heitor a deixou no quarto para se arrumar para o jantar e desceu para conversar com um dos inúmeros amigos que conhecia em Londres.
Ela já estava pronta quando ele chegou, ao entrar seu olhar a percorreu de cima à baixo.  
"_ Nossa!!! Você está mais linda do que nunca. Que orgulho tenho por ser seu marido Nina." 
Ele colocou um pacotinho que trazia nas mãos sobre o aparador e caminhou devagar até ela pousando uma das mãos em sua cintura, e com a outra acariciou seus lábios.
"_Meu amor, você foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos anos, sinto-me um menino apaixonado, você é que me fez renascer Nina."
Com delicadeza ele tomou o rosto dela em suas mãos e a beijou com fervor e paixão. Ela correspondeu ao beijo com todo amor que sentia por ele,  envolveu com as mãos os cabelos dele e deslizou-as pelo pescoço. Heitor agarrou-a pela cintura trazendo-a para bem junto dele se entregando a uma explosão de sentimentos  e sensações passeando com as mãos avidamente pelas costas dela por sobre a renda do vestido....

Por amor - Capítulo XXIII

Um mês depois de receber a carta da mãe com a notícia da morte de Fabrício, Nina voltou para sua casa no vilarejo, retomou seu trabalho na loja de antiguidades de Luís e Júlia.

Este ano tudo estava diferente, os pais lhe haviam escrito dizendo não poder passar as festas com ela como todos os anos, pela primeira vez seus pais disseram que queriam passar a noite de Natal com uns amigos na corte.

Embora chateada, ela não demonstrou isso à ninguém. 
E em companhia de Luís e Julia partiu para a fazenda de Heitor, levando no peito um sentimento de abandono e solidão.

Embora soubesse do carinho dos patrões por ela,  isso não substituiria a presença dos pais.

Ao chegarem a fazenda, Heitor os recebeu e ao entrar na sala de estar, Nina teve uma surpresa, seus pais estavam lá. 

Heitor fez tudo de forma que ela não percebesse, pediu à todos que guardassem segredo.
Naquela noite de natal ele a pediu em casamento.

Três meses depois estavam casados...

No porto,  os pais de Nina, Luís e Júlia, se despediram do casal,  que iriam em viagem de lua de mel a Londres, onde Heitor apresentaria ao filho sua nova esposa.

O navio anunciou a partida, afastava-se lentamente, enquanto em terra, os que ficavam acenavam com seus lenços, para as pessoas no convés.

Eles se beijaram com paixão, enquanto o navio se afastava da terra levando ambos para uma nova vida.

“_Está feliz minha menina?” Perguntou-lhe Heitor.

“_Feliz?” Ela abriu-lhe o mais belo sorriso

“_Muito, muito feliz Heitor. Estou renascendo meu querido...  renascendo por amor.”....

                                                              

Por amor - Capítulo XXII

Ilídio bateu na porta da sala de leitura onde Nina estava em seus devaneios, lembrando da visita de Heitor e no beijo que ele  lhe deu, aquele beijo que ela jamais esqueceria. 

“_Licença Nina, fui à cidade e passei pelo correio e tinha esta carta pra você.”

“_Muito obrigada Ilídio. Fora de hora esta carta... é de minha mãe, o que será que aconteceu.” Ela começou a abrir a carta apreensiva.

“_Não há de ser nada de mal, confie Nina, não será nada de mal. Se me da licença, vou deixar você a vontade, qualquer coisa é só chamar.” Ilídio disse com sua simpatia retirando-se da sala.

Havia um mês que ela estava hospedada na casa de campo de Luís e Júlia,  quase isso também da visita de Heitor. Ela abriu a carta que dizia:

"Querida filha

Espero que esta lhe encontre bem e feliz. 
Está gostando do novo lar? 
Eu e seu pai estamos bem, ele como sempre teimoso....

Escrevo fora do período a que estamos acostumadas filha, 
para dar-lhe uma notícia, 
embora não seja a que gostemos de anunciar referente a qualquer pessoa.
É sobre Fabrício, ele  meteu-se em mais uma briga na “casa” que comandava, 
mas nesta briga ele não se deu bem. 
Sinto muito dar-lhe esta notícia assim minha querida, 
mas não encontrei outro modo de fazê-lo. 
Ele foi morto por um dos cliente do bordel. 
Apesar de ser uma notícia fúnebre e triste, não se lamente, filha, dos males o menor.
Agora você está livre, não precisará mais fugir, ou se esconder. 
Poderá viver de verdade. 
Fico por aqui filha deixando um grande abraço meu e de seu pai, pedindo a Deus que a abençoe."

Nina pousou a carta sobre o colo, não conseguiu derramar nenhuma lágrima e sentiu-se mal por isso, ela não desejava a morte de Fabrício.  Ela mesmo se confortou falando sozinha:

"_Erga esta cabeça Nina. Deus tenha misericórdia de sua alma Fabrício e  perdoe todas as atrocidades que você fez, e que possa descansar na eternidade."

Respirou fundo,  sentiu a leveza tomar conta do seu ser. Agora ela estava realmente livre, não precisaria mais se esconder como a mãe lhe dissera na carta.
   
Tudo mudou em uma questão de semanas, agora era realmente o momento de renascer para si mesma, para a vida e para o amor....

sábado, 26 de novembro de 2016

Por amor - Capítulo XXI

Devagar foram se soltando do abraço e ela quebrou o silêncio:

“_Como soube que eu já havia chegado?”

“_Fiz contas após a chegada de sua última carta, deduzi que estariam chegando hoje, pensei em vir dar-lhes as boas vindas, mas Ilídio disse-me que Luís e Júlia partiram ontem.”

“_Sim, foram ontem. Dr. Luís tem seus negócios, não poderiam ficar mais, senti muito a partida deles.”

“_Entendo, sei que não é fácil viver longe de pessoas amigas.”

“_Não é fácil, mas estou acostumada com a solidão Heitor... como você.”

Ambos se olharam como se quisessem falar alguma coisa pelo olhar, eles haviam conversado pouco desde que se conheceram, ela o olhou com calma observando o quanto ele era elegante, seus cabelos e barba grisalhos e bem aparados, olhos castanhos, traços fortes e bonitos.

Geralda  anunciou que iria lhes servir um lanche no jardim, Nina agradeceu e ambos se dirigiram para lá... O dia estava lindo e poderiam aproveitar a beleza do local.

“_Como Ilídio cuida bem deste lugar, um dos mais belos jardins que conheço, e olhe que conheço vários.”  Comentou Heitor puxando a cadeira para que ela sentasse e se acomodando na cadeira em frente a dela.

“_Sim, ele é muito caprichoso. Geralda também é,  eles são adoráveis. É muito bom tê-los por perto.”

Conversaram sobre vários assuntos, a manhã passou muito rápido. 
Almoçaram e foram para a sala de leitura onde Heitor comentou sobre as obras e seus autores favoritos.  Passaram uma deliciosa tarde. 

"_Agora devo ir Nina, logo começará a escurecer."

“_Mas é tarde Heitor, não quer ficar? Como viu a casa tem cinco quartos bem confortáveis .”

“ _Não Nina!  Não ficaria bem me hospedar aqui, estando você sozinha.”

“_Pare com isso Heitor, eu já fui casada,  vivi maritalmente com um negro alforriado. Quer assunto melhor para os alcoviteiros!!!?"  
Ela zombou "_ Já lhe falei tudo da minha vida, o que mais teriam para falar de mim? E quem?”  Ela gargalhou, pois não haviam vizinhos ali, só Geralda e Ilídio e estes sabiam tudo de sua vida.

“_Não é necessário que eu me hospede aqui Nina. Luís não lhe disse, eu acho.”  
Ele falou também sorrindo contagiado pela alegria dela. 

“_Disse o que? E porque não é necessário? É perigoso viajar a noite, se precisar não encontrará ajuda alguma." Perguntou preocupada fechando o sorriso do rosto.

“_A fazenda onde vivo minha querida, fica a pouca distância daqui, estamos mais perto do que imaginas.” -Ele confidenciou feliz- "Poderemos nos ver todos os dias.... se você quiser é claro."

“ _Não entendo porque  Dr. Luís e Dona Júlia nada me contaram. Devem ter esquecido."

“ _Luís me avisou através de um mensageiro, que a traria para cá e por qual motivo fazia isso. Disse-me pretendia ficar uns cinco dias aqui, mas foi embora antes. Se eles não disseram nada à você, é porque queriam que fosse uma surpresa. Eles me pediram para que eu viesse até aqui as vezes para ver se você precisava de alguma coisa... se estava tudo bem. Enfim, Luís se preocupa muito com você, por ele ...quer que sejamos mais que amigos."  Ele confidenciou com riso tímido.

"_Mas.... veja só. Como sabe?  Ele lhe falou alguma coisa?"  
Ela riu pra ele surpresa! Pensou que Luís sempre a protegia sem que ela percebesse!

"_No dia em que cheguei de Londres. Estávamos conversando após o jantar quando você se retirou. Está lembrada?"
"_Sim lembro-me disso!" 
"_Luís, esperto como é percebeu meu interesse quando perguntei algo sobre você.”

“_Ah isso é verdade, Dr. Luís é um homem muito perspicaz, deve ser pela profissão. Mas o que perguntou sobre mim?”  Se é que deseja falar-me. 
Comentou enquanto acompanhava Heitor que se dirigia para a porta. 

"_Queria saber porque você estava indo embora sozinha, se o seu marido não frequentava a casa! Foi ai que ele me contou o que havia acontecido no dia em que a conheci!"

"_É verdade, você comentou comigo no dia em que fomos a confeitaria!"

Chegando perto da carruagem Heitor parou para se despedir.

“_Muito obrigada pelo dia maravilhoso. Fez-me um bem enorme vê-la novamente menina.” Disse ele acariciando-lhe o rosto suavemente.

“_Agradeço da mesma forma Heitor. Adorei a surpresa! Passar o dia com você foi um presente, volte quando quiser.” Disse ela com um brilho diferente no olhar.
Ele aproximou-se dela, diferente das outras vezes pousou as mãos em sua cintura e beijou-lhe a face delicadamente! Ficaram tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro seus olhares se cruzaram. Devagar ele encostou seus lábios nos dela e  puxou-a para junto de si, beijando-a com doçura e desejo. 
Ela se entregou inteiramente as sensações que aquele beijo provocava, beijaram-se longamente. 
Nunca em sua vida, alguém a beijou daquela maneira, nem Jonas e muito menos Fabrício, jamais ela imaginou que um beijo pudesse dizer tanta coisa e fazê-la ter tantas sensações ao mesmo tempo.
Heitor foi o primeiro que a beijou assim... beijou de verdade...de corpo e alma... 

Por amor - Capítulo XX

Nina acordou com o sol batendo em sua janela, o ambiente era leve, a cama com dossel trazia um ar romântico e muito especial ao quarto.
Levantou-se abriu a janela, ficou maravilhada com a vista.
Realmente era um presente ficar hospedada ali por uns tempos.
Geralda bateu na porta.
“_Entre!”
“_Bom dia senhora.” Cumprimentou a governanta olhando pela fresta da porta.
“_Bom dia Geralda, entre.”
“_Trouxe-lhe o desjejum, frutas, suco de laranja e pão, espero que goste. ”
“_Adoro Geralda mas não precisa fazer isso. Descerei todos os dias e tomarei café lá embaixo, está bem?”
“_A senhora é quem sabe Dona Nina, eu fazia sempre isso para Dona Júlia, farei para a senhora também com prazer.”
“_Agradeço demais sua gentileza minha querida, mas eu prefiro continuar com meus hábitos, há anos não me servem café na cama, não quero ficar mal acostumada.”
Nina explicou em tom de brincadeira, recebendo de volta o doce sorriso de Geralda antes de se virar para sair do aposento.
“_Geralda!"
"_Pois não senhora."
"_ Não me chame de senhora... me chame apenas de Nina, pode ser?”
“_Como quiser ...Nina.” Respondeu obediente se retirando e deixando-a sozinha.
 Após o café, ela se vestiu. Pegou a bandeja para levá-la à cozinha, quando ouviu o barulho de uma carruagem, ela olhou pela pela janela pensando se tratar de alguma entrega pois viu quando 
Ilídio foi atender.  
Geralda ficou espiando, quando viu que Ilídio abriu o portão para a carruagem entrar, correu pela casa gritando:
“_Nina.... Nina.... Dona Nina....”
“_O que houve Geralda?” Perguntou ela olhando do alto da escada para a governanta ainda com a bandeja do café na mão, enquanto Geralda subia as escadas para falar-lhe:
“_Nina... chegou...uma carruagem..... chique ...bem chique...”  Disse a governanta tentando recuperar o folego.
Assustada Nina deixou a bandeja no aparador, puxou Geralda pela mão e trancaram-se no quarto, caminhou até a janela para tentar ver quem era enquanto buscava saber da governanta de quem se tratava.
“_Você conseguiu ver quem era Geralda?”
“_Só de longe,  é alto, não é muito novo não.”
“_Quem será Geralda? ninguém sabe que estou aqui!”
Um frio percorreu sua espinha.
“_Meu Deus.... que não seja Fabrício. ”
Ela ajoelhou-se em posição de prece e alguns instantes, olhou para a governanta que estava em pé de frente à ela.
“_Geralda, desça e vá tentar descobrir quem é! Não fale nada apenas ouça e venha me dizer o que descobrir, veja se é alguém que você conhece.”
“_ Sim senhora!Volto logo, não abra a porta enquanto eu não falar que esta tudo bem.”
Orientou a governanta retirando-se do quarto.
Pareceu-lhe uma eternidade aqueles minutos até que Geralda voltasse:
“_Nina abra a porta, está tudo bem é um conhecido."
Nina puxou Geralda para dentro e perguntou:
“Ele disse o nome? ...É loiro? .... Tem olhos de que cor?”
Interrogava Geralda sem dar tempo para respostas.
“ _Calma! Não vi nada disso não. Ele já veio várias vezes aqui com Dr. Luís e Dona Júlia, não lembro o nome dele. A senhora deve conhecê-lo também, porque ele disse que já viu a senhora na loja do Dr.Luís.”
A tensão no rosto de Nina sumiu dando lugar a um leve sorriso
"_É Heitor Geralda, só pode ser ele."  Saiu correndo deixando Geralda pra trás. 
Ao chegar na sala de estar, o encontrou de costas olhando o jardim pela janela.
“_Heitor!!!?” Ela o chamou
“_Nina"  Ele caminhou até ela cumprimentando-a com seu jeito gentil e habitual.
“_ Que saudade, perdoe minha petulância em vir visitá-la sem aviso.”
“_Heitor, meu amigo como é bom vê-lo aqui.”
Num instinto indomável, ela o abraçou forte, percebendo seu atrevimento ao tentar afastar-se dele, sentiu seu abraço carinhosamente retribuído por ele e gostou de senti-lo tão perto dela....

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Por amor - Capítulo XIX

Nina, Luís e Júlia,  já perto da hora do almoço chegaram a casa de campo onde foram recebidos pela governanta, que já havia deixado tudo pronto.
Geralda, era uma mulher simpática e muito simples, como também Ilídio seu marido que era encarregado de cuidar do jardim e da manutenção da casa.
Após o almoço, Luís e Julia levaram Nina para conhecer a cidade, apresentaram-na a alguns donos de estabelecimentos, que poderiam ajudá-la caso ela viesse a precisar.
Julia a levou primeiro para conhecer a loja de tecidos de propriedade de Aurora, a modista.
Luís apresentou-a á um circulo de amigos de sua confiança, queria deixar Nina amparada.
Ao retornarem, tomaram o café da tarde e lhes apresentaram todos os ambientes da casa, a biblioteca, sala de leitura , de estar, sala de jantar, tudo mobiliado com muito bom gosto.
Caminharam pelos arredores da casa, para que ela se familiarizasse com sua nova morada, mostraram o estábulo,  horta, pomar.
O jardim lindamente encantador, com entrada enfeitada por uma pérgula, uma mesa e cadeiras bem talhadas ofereciam tranquilidade de frente a uma fonte com peixes bem ao centro.
Dois dias depois Luís e Júlia foram embora, despediram-se com lágrimas nos olhos, mas tinha que ser assim. Nina não teria problemas em se acostumar com a beleza daquele lugar.
Agora ela precisava se adaptar a nova vida, criar novos hábitos, começar de novo e reconstruir sua vida, sua auto estima, seu sonhos... sim eles ainda existiam, e ela estava decidida a tornar alguns deles realidade.....

Por amor - Capítulo XIII

As malas já estavam prontas, agora era só esperar pelo dia marcado por Luís para que partissem para a nova cidade a nova casa, nova vida.
Já havia colocado as cartas no correio, uma para Heitor outra para os pais avisando-os da mudança!
Olhou a caixa sobre a mesa com as coisas que eram de Jonas, precisaria entregá-las, mas como?
Uma batida na porta a trouxe de seus pensamentos, ao olhar pela janelinha da sala surpreendeu-se, era Jonas e ela havia acabado de pensar nele.
"_Jonas? Que surpresa!"
"_Bom dia Nina. Posso entrar?"
"_Claro entre, tenho mesmo que lhe entregar alguns pertences."
"_Nina, vim avisá-la que o calhorda do Fabrício esta rondando a cidade, precisa tomar cuidado. Mesmo separados eu me preocupo demais com você, aquele homem quer acabar com você."
Ela suspirou e respondeu:
"_Eu já sei Jonas, ele já tentou me pegar outro dia, não fosse Dr. Luís..."
"_Meu Deus Nina, precisa sair daqui lembra-se de quando ainda casados ele a jogou para fora da carruagem em movimento? Se eu não aparecesse ele teria voltado e passado por cima de você."
"_Como eu poderia esquecer Jonas? E também, não me esqueço quando ele me disse que queria que eu fosse para o convento para que nenhum homem mais se aproximasse de mim...que eu era só dele. É um doente... um doente assustador."
"_Precisa desaparecer rápido daqui Nina."
"_Calma Jonas, já está tudo acertado. Dr. Luís e Dona Júlia já cuidaram de tudo." Ela disse apontando para as malas enfileiradas no chão. "_Como pode ver já estou de partida, estava exatamente pensando em como entregar à você alguns pertences seus que ficaram aqui." Ela se dirigiu à cozinha onde estava a caixa e colocando a mão sobre ela concluiu "Estão aqui, pode levá-los."
"_Para onde vai? Venderá a casa? Perguntou Jonas.
"_Não vou vender! Vou alugar e com o valor me ajeito em outro lugar."
"_Já sabe para onde vai? Eu..." Nina o interrompeu
"_Jonas, melhor que ninguém saiba para onde irei, é mais seguro para mim e para você, estarei bem! Perguntou se vou vender a casa, porque? Precisa de dinheiro? Se quiser vendo e lhe dou a sua parte?"
"_Não! De jeito nenhum!" Sem graça ele continuou "_Como genro do "Coronel" nada preciso, estou mesmo preocupado em como você vai se virar."
"_Perdoe-me Jonas, mas você não se preocupou com isso quando me abandonou! Porque se preocupa agora? Deixe isso pra lá, pode pegar suas coisas." Ele pegou a caixa, despediu-se dela que ao abrir a porta para que ele saísse se despediu.
"_Boa sorte Jonas! Espero que seja muito feliz com sua família, obrigada pela preocupação comigo. Deus abençoe você e sua nova família."
"_Obrigada Nina, perdoe-me por ter sido desonesto com você. Seja feliz também."
"_Adeus Jonas."
Ela fechou a porta deixando para trás o passado e as lembranças com Jonas. Agora ela precisava se reequilibrar e então poderia recomeçar sua vida novamente.
Ela não estava alegre por tudo isso, afinal teria que deixar pessoas queridas para trás, mas a vida estava trazendo novos desafios, e ela os encararia, queria ser feliz e era de dentro dela que traria a força e a vontade de recomeçar sua vida....sozinha, como sempre fora.

Por amor - Capítulo XVII

Nina saiu para o trabalho, olhou para os lados para se certificar de que não teria mais surpresas como a do dia anterior.

Chegando a loja, foi á biblioteca conversar com Luís.

“_Bom dia Dr. Podemos conversar?”

“_Nina, bom dia, claro que sim, entre também quero falar-lhe.”

“_Dr. Desde ontem venho pensando e ... cheguei a conclusão de que não posso mais continuar a morar aqui depois do que aconteceu ontem."
“_Entendo você filha,  neste momento é inviável que permaneça na cidade." 
"_O pior para mim é deixar a loja, o senhor cofiou em mim, enfrentou também o preconceito maldoso das pessoas quando me colocou a frente de sua loja. Hoje as pessoas me respeitam por sua colaboração e também pelo prestígio que tem na cidade. Saber que não os verei mais, não ter que vir mais para a loja todos os dias...é o que mais me dói nisso tudo.”
"_ Eu sei como se sente! Eu e Júlia também nos afeiçoamos muito a você, tanto que ontem ela me deu uma ideia. Vou lhe dizer e ver o que você acha."
"_Nem sei como agradecer pelo carinho de vocês e preocupação comigo." 
"_Imagine Nina, sabe bem que a temos como filha." Luiz disse sorrindo carinhosamente "_ Você sabe que temos uma casa de campo em uma cidade vizinha, é uma lugar bem frequentado, porém pouco conhecido, temos uma governanta e seu marido que cuidam da manutenção, eles podem ajudá-la e você não se sentirá tão sozinha, são ótimas pessoas, estão conosco há muitos anos.”
O olhar de Nina se iluminou quando ouviu a proposta de Luís.

“_E vocês acham que eu poderia ficar um tempo lá?”

“_Sim, você ficará na casa pelo tempo que quiser. Continuarei pagando os funcionários como sempre fiz, este gasto você não terá.”

“_Mas Dr. Sem trabalho, não poderei me manter, não quero em hipótese alguma que o senhor e dona Júlia pensem em me sustentar, se assim o quisesse eu voltaria a viver com meus pais, eles tem condições para isso.”

“_Calma menina”- disse Luís em tom de brincadeira- “Pensei que poderíamos alugar a sua casa, o valor do aluguel eu enviaria á você, assim teria como se manter perfeitamente bem e com sobra. O que acha?”

Nina gostou da ideia

“_ Eu adoraria Dr. Será uma nova oportunidade... mas trabalho... este não creio que consiga. É importante para mim o senhor entende?”

“_Sim, tem grande potencial e vontade, Imagino o quanto será difícil se acostumar a uma vida doméstica... pense que está de férias.” Concluiu Luís bem humorado.

Ela retribuiu-lhe o sorriso e concordou.

“_Farei isso Dr. é o tempo para arrumar minhas coisas e estarei pronta para ir.”

“_Sim, vou mandar um mensageiro levar minhas ordens aos dois para que mantenham a casa a nossa espera, eu e Júlia a levaremos. A casa já está mobiliada não precisará levar seus móveis. Poderemos ir assim que estiver pronta."

“_Obrigada de novo, Dr. Luís. Nunca poderei agradecer ou pagar-lhes o bem e ajuda que me fizeram e que continuam a fazer-me.”  Ela falou com o olhos marejados de lágrimas.

“_Ahhh... estava me esquecendo, vou pagar-lhe todos os direitos pelo tempo que trabalhou conosco, terá uma boa reserva filha.”

“_Dr. O senhor e dona Júlia são como anjos em minha vida, muitíssimo obrigada.”

Nina foi pra casa rapidamente, precisava agora arrumar suas coisas o mais rápido possível, não iria ficar no vilarejo mais tempo que o necessário...

Por amor - Capítulo XVI

Um bom tempo havia se passado, observou que Jonas não estava no salão. Apesar de ter companhias agradáveis, estava incomodada demais. Jonas não se aproximou em nenhum momento e agora os casais juntos a faziam sentir-se mal. 
_Com licença, vou comprimentar alguns conhecidos, obrigada pela adorável companhia! 
Deixou o grupo, todos sabiam que ela estava com o marido e era natural que se juntasse a ele.
Ela começou a caminhar em meio as pessoas alegres e fanfarronas do salão, seu receio era de que Jonas bebesse em demasia e fizesse alguma bobagem que pudesse prejudicá-lo com o patrão, decidiu procurá-lo.
Ela já conhecia a casa, havia participado de algumas festas. Quando Jonas foi admitido várias vezes foram convidados à jantares oferecidos pelo casal. 
Entrando de ambiente em ambiente, sem ver sinal de Jonas, continuou seguindo pelo corredor. Quem sabe ele não estivesse fora da casa,
 não queria sair pela frente isso despertaria a atenção das pessoas e não era o que ela queria. 
Lembrou-se que na cozinha havia uma saída para o lado de fora da casa, e ninguém a veria sair já que os empregados estavam servindo os convidados.
Ela empurrou a porta, entrou fechando-a atrás de si, virando-se para sair. 
A cor lhe fugiu da face, suas pernas bambearam. 
Mal podia acreditar no que estava diante de seus olhos, lá estava Jonas, aos beijos atracado a uma jovem moça. 
Nina não sabia o que fazer, o mundo parecia ter parado naquele instante. Era Aurora, a filha do patrão dele. 
_ Jonas??? - Ela balbuciou, ambos num sobressalto olharam para ela desconcertados. 
Sem acreditar no que os olhos lhe mostravam, Nina saiu correndo em direção ao pátio.
Jonas correu atrás dela....



quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Por amor - Capítulo XV




Ao chegar na sala onde Jonas a esperava ele a olhou de cima à baixo com um sorriso que já não mais a alegrava e elogiou:
_ Nina... você esta linda. Eu já havia me esquecido do quanto você é bela.
_Obrigada! Ela limitou-se ao agradecimento mantendo-se natural. Aceitando o braço que Jonas lhe oferecia, partiram para o evento.
O salão já estava bem movimentado, músicos, mulheres em seus vestidos maravilhosos, homens elegantes. Lembrou-se das festas em que ia com os pais e pela primeira vez em todos estes anos ela teve saudade e vontade de voltar a viver naquele meio. A agitação ao redor a trouxe de volta de seus devaneios.
_ Boa noite! Nina seja bem vinda, q
ue bom que veio! - Disse-lhe Elisa, que os recebeu acompanhada do marido Afonso, patrão de Jonas e dono da fazenda.
 _Venha comigo Nina, vou lhe apresentar-lhe algumas pessoas, assim não se sentirá deslocada. - Comentou a anfitriã.
Jonas ficou na em companhia de Afonso. 
Elisa a apresentou a um círculo de pessoas bastante animadas, falavam de música, livros, acontecimentos recentes. Não foi difícil para ela se entrosar com o grupo e conversar. Ela sabia como se comportar, não havia abandonado o linguajar requintado, as pronúncias corretas e a discrição que aprendera com a mãe.

Por amor - Capítulo XIV


Uma noite, pela primeira vez em meses Jonas chegou sóbrio e no horário em casa. 
Ela estranhou, mas manteve-se calada, ao terminarem de jantar ele quebrou o silêncio:
_ Sábado haverá uma festa na fazenda. Fomos convidados e já confirmei nossa presença.
Nina concordou, pensou que esta festa poderia lhe dar as respostas que Jonas não dava. 
Sua intuição lhe dizia que ela iria descobrir o que realmente estava acontecendo com o marido.
O sábado chegou, era o dia da festa. Nina se arrumou, sentiu-se feliz, afinal ela era bonita. Em todos estes anos só teve olhos para Jonas, dedicou-se a ele. Não se vestia daquela forma elegante e glamourosa desde que assumiu a vida simples ao lado de Jonas. Embora ela sempre se vestisse com elegância, nunca mais havia se vestido de forma tão bela.



Por amor - Capítulo XXIII

A noite Dr. Luiz e sua esposa D. Júlia ofereceram um jantar ao amigo Heitor, apenas à família. 
Nina era considerada da família e fizeram questão de sua presença. 
Ela arrumou-se com esmero, elegante porém sem muito glamour.
Apesar de morarem perto, Dr. Luiz pediu a Antonio um empregado antigo do casal que fosse buscá-la em casa.
Ao chegarem Antonio avisou-os de sua chegada e Dona Júlia fez questão de ir recebê-la.
_ Como está linda minha querida! 
_ Obrigada dona Júlia, a senhora é que está sempre linda e
_ Venha, vamos nos juntar a eles. - Disse Julia guiando-a com a mão delicadamente a outro ambiente.
Ao entrarem na sala, Heitor e Luiz estavam sentados nós sofisticados sofás de veludo vermelho. Ambos com uma taça de vinho.
Nina percebeu a reação que despertou em Heitor ao entrar, porém ele apenas a comprimentou com a costumeira gentileza.
Tudo transcorreu muito bem, muitas risadas, conversas interessantes. Ela participava assim como Júlia. 
Após o jantar, os homens foram para a sala de estar para saborear seus licores acompanhados de charutos e falar de negócios. Ela ficou em companhia de D. Júlia. 
após um bom tempo de conversa, ela comentou com Júlia:
_ Adorei a noite Dona Júlia, mas está ficando tarde, vou para casa. 
_ Ah.. não filha! Ficarei aqui sozinha com estes dois alegres beberrões?  -Comentou Júlia achando graça em seu próprio comentário.
_ Mas eu entendo querida, não é seguro uma mulher andar sozinha muito tarde da noite. Mas não se preocupe, vou pedir a Antônio que a acompanhe. Depois também vou me recolher. Obrigada pela sua companhia sempre tão agradável minha querida.
_ Sou eu quem agradeço Dona Júlia, por sempre me incluírem em seus compromissos familiares, sinto-me imensamente grata por isso.
_Nao precisa agradecer. Você sabe que é como uma filha para nós. Tenho enorme carinho por você Nina.
_Eu também tenho  grande carinho por ambos D. Júlia.
As duas dirigiram-se a sala ao lado para se despedir deles. 
....


Por amor - Capítulo XXII

_ O Sr. Heitor e eu nos conhecemos no dia da festa na fazenda São João. Foi ele que me trouxe para casa naquele dia, lembra-se? Comentei com o Senhor! Respondeu ela.
_ Ahhh sim! É Verdade!!! Havia me esquecido,... que cabeça minha. De qualquer forma, virá nos ver assim que aportar! Disse Luiz feliz por receber o amigo.
_ Fico muito feliz pelo Sr. É muito gratificante rever amigos.
Com tantos dias iguais, vazios, sem novidades ou surpresas para ela, sentiu-se feliz em saber que teria um dia diferente dos outros muito em breve. 
Como havia prometido na carta, Heitor ao voltar de Londres foi visitar o amigo Luiz.
Era manhã de setembro, Nina cuidava dos documentos da loja de costas para a porta de entrada, quando foi surpreendida pela voz de Heitor.
_ Bom dia! Por favor, senhorita, o Dr. Luís está? Perguntou ele.
_ Sr. Heitor, seja bem vindo. Ele está sim, e ansioso a sua espera.
_ Maria Emília! Que agradável surpresa ser recebido por você, como tem passado? Perguntou beijando-lhe a mão. 
_Estou bem obrigada. E o senhor, fez boa viagem? 
_ Sim, apesar de cansativa correu tudo bem. 
_  Desde sua última carta Dr. luiz não parou de falar um só minuto em sua visita. Disse ela com seu sorriso tão peculiar e contagiante.
 _ Se não se importar... pode me chamar de Nina! Maria Emília é muito formal. Pelo menos meus pais me chamavam pelo nome quando iam dar-me reprimendas. - Ela contou em tom de brincadeira.
_ Imagine! Será um prazer chamá-la assim... Nina.
_ Assim está melhor. Me acompanhe por favor, o levarei até ele. Está na biblioteca!
Heitor a seguiu, observando seu modo de andar, sentiu seu discreto e agradável perfume. Como um estalo deu-se
 conta neste instante que, desde que ficara viúvo nenhuma mulher o havia chamado tanto  atenção, até este momento. 
Ela era uma bela mulher, talvez pela situação em que se conheceram não tenha se dado conta disso.
Seus pensamentos foram interrompidos quando ela parou frente à porta da biblioteca e bateu esperando a ordem de entrar.
A casa ficava  em  cima da loja, porém a biblioteca era usada como escritório pelo advogado.
_ Pode entrar!
Nina abriu a porta de forma a deixar visível o amigo.
_ Dr. Luís, há alguém aqui que deseja vê-lo. - Ela  anunciou sorrindo e apontando para Heitor. A alegria de Luiz ao rever o amigo foi imensa. Ela retirou-se deixando os dois a sós...

Por amor - Capítulo XXI

Já faziam seis meses que Jonas fora buscar suas coisas como ela havia pedido. Foi no domingo um dia depois do lamentável ocorrido.
Pensou no quão rápido o tempo tinha passado. Nunca mais se encontraram, ela soube que ele e Aurora haviam se casado e estavam morando na fazenda. 
Lembrou-se que ela e Jonas nunca se casaram no papel e sequer tiveram uma benção na igreja. 
Ela confiava tanto nele que não via necessidade de documentos, além de continuar casada com Fabrício perante a  lei de Deus e dos homens. 
Os pensamentos começaram a fervilhar, deduziu que quando Jonas foi embora, Airora já estava grávida de uns dois meses. 
Em seu coração uma tristeza, Jonas seria pai e ela nunca poderia fazer isso por ele. Será por isso ele a havia traido?
Ela repreendeu a si mesma em pensamentos: _Pare com isso Nina, sofrer pelo que já passou não vai ajudar. 
Respirou fundo e retomou seu equilíbrio.  
Entrou no correio como todos os dias antes de ir para o trabalho, para pegar as correspondências da loja e esperava sempre pelas cartas dos pais, que religiosamente chegavam no mesmo dia de todo mês. 
Desta vez além das correspondências da loja, e a carta dos pais, havia uma endereçada ao Sr. Luiz, que mais que um patrão todos estes anos, tinha sido como um pai para ela nos últimos meses.
O remetente era Heitor, ela não soube mais nada dele depois do dia em que a levara pra casa.
Dirigiu-se para a loja onde entregou as correspondências ao patrão e foi arrumar as peças  em exposição.
_ Nina, olhe só que notícia maravilhosa. - Disse Luiz animado - 
_ Meu amigo Heitor estará de volta ao Brasil por meados de setembro... escreve aqui que virá nos fazer uma visita... ele manda lembranças a ti? -Luiz perguntou intrigado - "_Vocês se conhecem de onde?”
......

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Por amor XVII

Correndopelo pátio, Jonas alcançou Nina agarrou seu braço por trás impedindo-a de seguir, ela soltou-se dele com raiva.
_ Aproveite o domingo, amanhã vá pegar suas coisas, a partir de hoje não faz mais parte da minha vida. Ela voltou a caminhar em direção a estradinha de terra, porém Jonas não desistiu.
_ Espere, vamos conversar?! Nina, me dê a chance de explicar. - Ele acalçou-a novamente voltando a agarrar-lhe pelo braço.
_ Me solte! Você se recusou a dizer quando lhe perguntei o que estava acontecendo. Agora não é mais preciso.  Não temos mais nada à falar um ao outro Jonas. 
Dei-lhe as costas e seguiu sem olhar para trás.
Jonas ficou olhando enquanto ela se afastava, a seriedade com que Nina lhe falou aquelas poucas palavras o fez ter certeza naquele momento que ele jamais a teria novamente...

Por amor - Capítulo XIII

O comportamento de Jonas estava indo de mal a pior, ele não falava o que estava acontecendo, eles já não conseguiam mais se entender. Pouco conversavam, Jonas começou a beber todos os dias, chegava tarde da noite, dormia na sala.
Ela desistiu de tentar um entendimento ou conseguir dele uma resposta para tudo que estava acontecendo.
Ele era grosseiro com ela, seu desrespeito aumentava dia a dia, estavam parecendo estranhos. Isso a magoava e aos poucos todo amor que antes existia, foi dando lugar a desconfiança, a tristeza e a solidão. A mudança de Jonas foi radical, não mais dormiam juntos, ela já não estava mais tão feliz como era antes e ele não a olhavava mais com carinho, o encanto desapareceu por completo.
A única coisa que havia melhorado nele e para ele, era sua dedicação ao trabalho, era um empregado leal, justo, correto e muito dedicado,  não lhe faltavam qualidades e sua competência o tornou o administrador geral da fazenda.
Nina já estava decidida a deixá-lo, foi quando conversou com Dr. Luis, seu patrão que também era advogado. Contou-lhe o que estava acontecendo e começou a seguir as orientações dele com relação a Jonas. 

Por amor - Capítulo VIII

"A cor do amor" 
Capítulo VIII

Os dias passavam lentos, dias tristes, solitários, dolorosos. 
Dois meses se passaram desde o casamento.
E todos os dias ela fazia as refeições sozinha, algunas noites  Fabrício entrava no quarto, satisfazia seu desejo e saia para as noitadas voltando só ao amanhecer.
Várias vezes ela havia tentado visitar os pais, porém a governanta não permitia que ela saísse por ordem dele. Mandava bilhetes para os pais, mas os mesmos eram interceptados antes de chegar ao destino.
Nina não sabia o que fazer, parecia que havia sido esquecida pelos pais. Eles não vinham saber como ela estava. 
Em uma das noites em que Fabrício já havia saído para suas orgias, Nina sentiu-se mal,  chamando a governanta e desfaleceu.
Chamaram o médico e a mãe de Nina pois não encontraram Fabrício.
A porta do quarto se abriu e o médico saiu sendo imediatamente questionado por Madalena.
_ Dr. o que aconteceu? O que minha filha têm?
_ Não se preocupe senhora, nada há com que se preocupar.  Ela está esperando um filho.

Anunciou o médico sorrindo enquanto ajeitava a roupa. Conversou com Madalena e a governanta deixando orientações  e cuidados necessários, antes de sair o médico reforçou as orientações e insistiu com a governanta:
_ Ela deve tomar sol todos os dias no horário recomendado, alimentar-se bem está muito magrinha! 
Dizendo isso retirou-se.
A mãe de Nina entrou no quarto, olhou para a filha, achou-a muito abatida. Mas na euforia do momento parabenizou a filha pela notícia. Era a primeira vez depois do casamento que Nina sentiu-se feliz.
_ Parabéns filha, que felicidade você nos deu. 
_ Mamãe, estou com medo. 
_ Imagine minha filha, medo de ter um bebê? A mãe achou engraçado. 
_ Não mamãe, medo de Fabrício. Tentei visitá-los mas não obtive sucesso. Vocês me esqueceram aqui.
_ Não filha, não a esquecemos, como poderíamos? Estivemos aqui por três vezes para vê-la, mas a governanta disse que havia saído em companhia de Fabrício.
Ela agarrou as mãos da mãe.
_ Mamãe eu não saio desta casa desde o casamento. 
A mãe franziu a sobrancelha.
_ Como assim? Não sai desde o casamento? Filomena sua governanta nós garantiu...
_ Não mamãe, Fabrício me trata muito mal. Minha noite de núpcias foi um martírio, ele deu-me um...
Ela parou de falar quando a porta se abriu e Fabrício entrou.  

Continua...

Por amor - Capítulo VII

Alguns dias se passaram e para desalento de Nina chegou o dia do casamento.
Uma batida na porta. Nina enxugou as lágrimas.
_ Pode entrar! 
_ Filha como você está linda! - Disse a mãe. _ Parece uma princesa... com este vestido, está linda... mas e esta lágrima não combina com tanta beleza! 
A mãe olhou com certa tristeza para a filha. 
_ Mamãe, não tenho outro sentimento a não ser muita tristeza... e medo. 
_Ahh meu amor, não é preciso ficar assim. Todas passamos por isso um dia. 
_ Mãe, você não está entendendo. Todas passam pela alegria de se casar com um homem que lhes agrada, o homem que amam, mas eu... confesso preferia ir para um convento. Disse voltando a chorar.
_ Vosmece não está exagerando filha? Seu pai já conversou com Fabrício como vosmece pediu? E Fabrício nos assegurou que cuidará bem de ti. 
Nina calou-se, não haveria nenhum argumento que convencesse os pais de que ela não deveria se casar. E assim aconteceu, Maria Emília e Fabrício agora estavam casados, a cerimônia simples, somente as pessoas mais  íntimas da família e alguns poucos amigos foram convidados. 
A noite de núpcias seria na casa onde ela viveria com Fabrício e para lá foram após despedir-se dos pais.
Durante o caminho ela tentava controlar o choro. Em nenhum momento ela se sentiu como uma noiva, estava séria e muito tensa. Só conseguia pensar que precisaria encontrar uma maneira de poder viver, pois ela não via um futuro ao lado dele que não fosse sofrer. 
Ao chegarem uma governanta de nome Filomena se apresentou e lhe mostrou a casa. Despedindo-se em seguida do casal.
Ela estava medo, sabia o que acontecia na primeira noite de um casal; mas seu medo ia muito além deste fato.
Ela sentou-se na pequena poltrona que havia no quarto e ficou apreensiva, contorcia as mãos sem conseguir olhar Fabrício, que tirava as roupas e as botas.
Ela sentia os olhos dele sobre ela, tentou acalmar-se pensando que ele poderia ser diferente, quem sabe a trataria com carinho já que agora ela era sua esposa. Ele parecia tranquilo 
para alguém com o temperamento explosivo que ele possuía.
_ Não vai tirar o vestido Maria Emília? Vai ficar assim com o vestido de noiva. 
Ela não sabia o que fazer, estava apavorada. 
_ Eu falei com você Maria Emília! 
_ Vou me vestir, se vosmecê me permitir uns momentos sozinha. 
Ele começou a rir nervosamente:
_ Mas só me faltava esta. Pare de ser idiota e tire logo esta roupa, pare de querer ser santa... Coisa que vosmecê não é!
_ Não entendi Fabrício. Do que está falando? 
Em três passos ele estava diante dela, agarrou-a pelo vestido e começou a rasgá-lo. Nina se sentiu como se atacada por um animal feroz. Ele arrancou suas roupas e a jogou na cama consumando o casamento de forma fria e grosseira. A ela só restou chorar. 
Ele levantou-se da cama e começou a se vestir, ela tentava esconder dele  sua nudez com a camisola. Olhou para o lençol, ali... naquela mancha de sangue, ficou a menina de onde veio seu apelido. 
Ao vê-la chorando ele gritou:
_ Porque está chorando? 
Ela somente o olhou e continuou abafando seu choro para não deixá-lo mais irritado. 
_ Vosmecê seria uma boa atriz Maria Emília. Acha que me enfaba? Eu não fui o primeiro homem que você teve. 
Nina sabia que ele era o primeiro, nunca teve nenhum contato íntimo com Jonas, isso a fazia chorar ainda mais. 
Ele começou a caminhar na direção dela que tentou falar com ele:
_ Fabrício eu nunca tive nada com...
Sua frase foi interrompida por um tapa na cara que marcou sua face. 
_ Pare de chorar! Odeio mulheres choronas. 
Fabrício saiu do quarto batendo a porta, deixando Nina sozinha, chorando até adormecer, sem esperanças e cheia de tristeza e dor.