sábado, 19 de novembro de 2016

Por amor - Capítulo VI

"A cor do amor" -  Capítulo VI

Nina entrou em sua casa e foi imediatamente acolhida pela mãe, horrorizada com sua aparência e estado emocional, tentou abraçá -la sem encontrar reciprocidade. Soltando-se dos braços da mãe, caminhou até pai, estava séria e com aparência abatida. Parou diante dele e perguntou sem rodeios:
_ Onde está Jonas? O que fez com ele? 
_ Mas olhe só quem chegou... a sua filha fujona sra. Madalena. Comentou Alfredo ironicamente, não escondendo seu desagrado. 
_ Que estado lamentável Maria Emília. Vá limpar-se e vista-se descescentemente.
_ Papai, me responda! Onde está Jonas? 
_ Eu não deveria responder já que vosmecê insiste em me desafiar. Mas vou dizer, para que vá se limpar e vestir-se adequadamente. Eu Já o liberei, fique tranquila. A esta hora deve estar se ajeitando em algum outro lugar longe daqui. 
- Ela estava exausta e saber que não poderia mais vê-lo a desesperou, aos prantos falou com voz alterada:
_ Porque fez isso papai? O senhor nunca foi de humilhar uma pessoa desta maneira. Jonas é um homem de valor e  não merecia este tipo de tratamento do senhor. 
_ Vá se aprumar Maria Emília, depois conversamos. Disse Alfredo tentando encerrar a conversa, porém Nina continuou:
_ Ele tem muito mais caráter, que aquele porco que o senhor quer me obrigar a casar.
Ela ouviu passos vindo em sua direção.
 _ Ora, ora... então minha noivinha me acha um porco.  
Ela sentiu o sangue fugir da face ao ver Fabrício surgir da biblioteca.
_ Minha cara, quem parece ter vindo do chiqueiro é vosmecê.
Ela baixou a cabeça, tinha medo dele, de sua agressividade, de suas reações sempre tão brutas e inesperadas quando os dois estivessem longe dos pais.
Ela foi para o quarto seguida por sua mãe que confirmou, Jonas fora solto logo que Alfredo chegou a fazenda e deu-lhe ordem para que fosse embora da fazenda definitivamente.
Naquela noite ela  não desceu para o jantar. 
Os dias passaram lentos porém o dia do casamento chegou.

 Continua...

Por amor - Capítulo V

"A cor do amor" 
Capítulo V

Nina chorava enquanto olhava para Jonas estirado no chão a certa distância deles. 
Fabrício não ouvia seus apelos e não a soltava; chacoalhava-a com força enquanto gritava com ira nos olhos:
_ Vosmecê é minha noiva entendeu? .... Entendeu? 
Ela tinha medo da ira de Fabrício, mas a raiva que estava sentindo dele foi determinante para ordenar que a soltasse.
_ Eu falei ...para vosmecê... soltar... o meu braço! Ou vou gritar até que meu pai me ouça.
Ele a soltou contrariado, não queria que os pais dela soubessem de seu comportamento para com a filha, não podia perder este dote. 
Alguns dias se passaram desde o ocorrido. Nina passou a encontrar Jonas algumas vezes na semana, conforme haviam combinado, ela contou todas as atrocidades do comportamento de Fabrício,  conversavam muito, as vezes sorriam e trocavam juras de amor, porém nunca haviam passado dos  beijos.
Ela e Jonas decidiram fugir da cidade antes do casamento com Fabrício, seria a única solução já que os pais nada fariam e ela sabia disso.
.........*..........

Agora ajoelhada no chão ao lado da cama, chorava pelo sonho interrompido. Cheia de coragem decidiu que precisava voltar para casa, precisava saber de Jonas.
Pegou seu cavalo e saiu a caminho da casa grande

Continua .......

Por amor - Capítulo IV

"A cor do amor" 
IV capítulo

Nina contou o ocorrido a mãe, que repudiando o comportamento de Fabrício, contou ao marido e tentou interceder pela filha, porém Alfredo não lhe deu ouvidos. 
O compromisso com Fabrício continuou e deixava a cada dia Nina mais triste, não tinha mais a alegria de antes, sua vida estava sem cor.
Nunca mais havia visto ou saído para cavalgar com Jonas, soube que a mãe dele havia morrido, mas não imaginava seu paradeiro. 
Alguns meses se passaram e uma tarde Nina saiu sozinha para passear nos arredores da casa. Ouvindo um assobio, virou-se para ver quem era; sua face se iluminou ao ver Jonas acenando para ela atrás de uma árvore, correu ao seu encontro e se jogou em seus braços.
A alegria de ambos foi tão grande que o primeiro beijo aconteceu ali mesmo, sem esperar ou planejar, apenas aconteceu, numa explosão de amor e carinho verdadeiros.
Depois do caloroso beijo, ficaram  envergonhados pelo que acabara de acontecer. Eles nunca haviam se tocado tão intimamente, até este dia eram apenas bons amigos de cavalgada e nada mais. 
Tentando parecer natural perguntou: 
_ Por onde andou? Não os vi mais depois que saíram daqui. 
_ Estou no mesmo lugar, na cabana de caça que era do seu avô. Seu pai não contou?
_ Não... meu pai nada me falou sobre isso. Soube da morte de sua mãe,  sinto muito Jonas.
Ouvi os empregados comentando,   mas ninguém soube me dizer onde encontrá-los! 
Jonas baixou a cabeça antes de continuar.
_ Minha mãe se entregou depois que tivemos que sair daqui, mas é a vida. 
_Mas porque saíram daqui? Poderiam ter continuado a morar conosco mesmo sendo livres.
Jonas balançou a cabeça negativamente:
_  Acho que vosmecê não sabe o porquê de termos sido alforriados não é mesmo Nina? 
_ Oras, foi um presente de aniversário para sua mãe... não foi? 
Ela perguntou intrigada. 
_ Este foi o motivo que o sr.Alfredo arranjou para nós colocar fora daqui. 
_ Como? O que está querendo  dizer Jonas? 
_ Lembra-se dos nossos dois últimos passeios a cavalo? 
_ Sim, claro que me lembro! 
_ Vosmecê não percebeu, mas o sr. Fabrício nos observava da janela da biblioteca.
Ela ficou séria e com medo do que ouviria a seguir:
_ Não o vi e nem percebi. Mas... o que isso tem a ver com a saída de vosmecês daqui?
_ Foi a condição do sr. Fabrício, para casar com a sinhazinha, eu e a minha mãe tínhamos que sair daqui. Foi quando vosso pai nos ofereceu a cabana.
Ela estava atônita, incrédula e inconformada. Seu pai estava sendo manipulado, que poder era este que o crápula do Fabrício exercia sobre o pai?  
Jonas percebeu que ela estava transtornada.
_ Sei que vosmecê tem compromisso com sr. Fabrício mas não me parece feliz com isso.
_ Ahh Jonas... estou desesperada! Não estou feliz.... fui obrigada a  aceitar este...este... o Fabrício. Não vai ser possível contar-lhe tudo agora.  Vou visitá-lo na cabana assim que puder, então lhe contarei tudo; preciso me livrar deste homem. Fabrício é um homem mal, minha vida tem sido um tormento ...
Um grito entrou como uma espada em seus ouvidos:
_ MARIA EMÍLIAA...
Num piscar de olhos Fabrício já estava ao lado deles,  golpeou o rosto de Jonas que foi ao chão desfalecido. Vendo-o ali com o rosto sangrando, ela gritava por seu nome enquanto era arrastada com brutalidade por Fabrício pelo braço. Ele a encostou  no muro que ladeava a casa segurando-a com força os pulsos.
_ O que vosmecê pensa que está fazendo?  -Disse ele com os dentes serrados pelo rancor. 
_ Me solte, está me machucando,  me solte! 
Gritou ela enquanto olhava preocupada para Jonas caído  desacordado.

Contínua....

Por amor - Capítulo III

"A cor do amor"
Capítulo III

... Transtornada e aos prantos,
ela deixou-se cair de joelhos no chão,  sobre a terra ainda molhada pela chuva da manhã.....
Chorando em desespero gritou, 
espalmando as mãos delicadas na terra, agarrou um punhado de barro e levou-as ao rosto.
Sua revolta era grande, seus pensamentos estavam perdidos. 
Porém,  ela  sabia que teria que ir pra casa, pelo menos para ter certeza que Jonas estaria bem. 
Acalmou o choro e se rendeu à realidade. Ainda que não fosse justo com seus sentimentos, ela sabia que teria que obedecer ao pai. 
Sem esperanças voltou à cabana, seria obrigada a casar com um homem que ela não amava e sacrificar o amor que sentia.
Ao entrar na pequena casa, olhou para a cama simples e caminhou até ela ajoelhando-se ao lado puxando o lençol para junto de sua face, como se assim pudesse sentir a presença de Jonas. 
Sua memória começou a trazer-lhe lembranças de sua vida até o presente momento.
......*.......
Era uma tarde de verão quando Nina chegou sorrindo e feliz de uma cavalgada com Jonas, ele levou os cavalos para o estábulo e ela entrou na casa grande. 
Neste dia apresentaram-lhe Fabrício. Ele era um homem bonito, cabelos claros, olhos verdes, traços fortes e marcantes.  Fabrício tinha uma vida desregrada, sua fama era conhecida e comentada entre as meninas nos saraus. 
Dono de uma beleza impressionante, trazia consigo na mesma proporção  a frieza, a crueldade e a falta de caráter. 
Ela não conseguia entender como o pai podia aceitar que ela se casasse com um homem com tal reputação...
no fundo ela sabia; eram negócios. 
Ter uma filha mulher era sinônimo de prejuizo, pois um filho homem recebia um dote do pai da noiva ao se casar. Nina sempre comentava com a mãe que era contra esta forma de pensar; era como pagar para livrar-se de uma filha mulher.
Contra sua vontade, Fabrício começou a fazer-lhe a corte, mesmo com sua resistência e 
passaram a se encontrar algumas vezes com a supervisão dos pais ou um serviçal da casa.
Em uma tarde sairam para uma volta pelo jardim e arredores, ela parou para brincar com os cães da fazenda, Fabrício teve um ataque de fúria. Começou a discutir e a reprendeu de forma agressiva. Ela e a dama de companhia ficaram assustadas e saíram de perto dele  tomando o caminho a fim de voltar para casa. 
Ele as alcançou e a pegou pelo braço de forma brusca.  Ela tentou soltar-se, mas foi em vão, indignou-se ao vê-lo ameaçar a moça que os acompanhava para que não contasse aos patrões seu destempero.
Neste dia, ela começou a conhecer de perto o homem com quem se casaria. 
Continua.....


A cor do amor - Capítulo II

"A cor do amor" 
CAPÍTULO - II 

A sua frente em companhia do capataz estava Alfredo seu pai
visivelmente irritado e nervoso ao ver a filha naquele local. 
_  Maria Emília, o que vosmecê acha que vai fazer?  Pegue seu cavalo, vamos voltar pra casa! 
_ Não vou! - Gritou ela 
_ Mas o que é isso? Não queira medir forças comigo menina! Disse o pai alterado.
Ela percebeu que havia sido ousada e que deixara o pai mais irritado, por isso baixou o tom da voz.
_ Por favor papai, não me obrigue a fazer isso. Eu não quero... 
Seu apelo foi interrompido pela resposta imediata do pai que passava nervosamente a mão na testa suada.
_  Você perdeu o juizo! Vamos embora. Tua mãe está a sua espera!
_ Papai, eu lhe imploro...  - Suplicou ela com as mãos em posição de oração. 
 _ Não me obrigue a casar com  Fabrício, ele é um homem asqueroso, eu não gosto dele é maldoso, seu olhar me assusta, não tem brilho. Quando ele está por perto a vida perde a cor... ele não sabe o que é amor.
_ Pare com esta insistência Maria Emília. Amor..amor... o que sabe vosmecê  sobre amor? Ainda é uma menina.
Ela permanecia calada, não haveria como mudar o pensamento do pai que continuava falando:
_ Está lendo muitos contos com princesas, fadas madrinhas e finais felizes. Ouça uma coisa Maria Emília o amor é uma utopia que inspira poetas. Fabrício tem uma ótima educação, é jovem, bem apessoado, além de ser filho de um dos fazendeiros mais ricos da região. O que mais vosmecê quer?
Ela chorava enquanto papai continuava a falar:
_ O que pretendia ao ficar se encontrando às escondidas com aquele forro?  
Ela arregalou os olhos, como o pai soubera de Jonas? Todas as vezes que saia, se certificava de que não era seguida. 
_ Porque fala assim papai? O senhor gostava dele, o estimava assim como a mãe dele.
Ernesto piscou os olhos demoradamente, suspirou e respondeu:
Reconheço que é um bom moço, o conheço desde que nasceu, mas não serve para vosmecê, vivem em mundos diferentes, com princípios totalmente opostos. - Disse o pai tentando controlar o cavalo que rodava em torno de si mesmo. _ Imagino que esteja pensando como sei que vosmecês andavam se encontrando? Mandei seguí-la. Não foi preciso mais do que uma única  vez Maria Emília.
Ela baixou os olhos como se a buscar coragem...
_ Com Jonas a vida tem cor, eu não quero uma vida em preto e branco que é o que Fabrício me oferece! Papai por favor? 
Alfredo estava perdendo a paciência.
_ Pare com isso Maria Emília, pegue agora seu cavalo e venha para casa. Ele... O Jonas, não virá. Está sob minha guarda na fazenda. 
Ela o olhou assustada, sabia que o pai não o machucaria, mas provavelmente o mandaria para longe e ela nunca mais saberia nada dele.
_ Vosmecê é quem sabe, se não quer voltar,  não volte. Tomarei minhas providências com relação ao que fazer com ele se em uma hora Vosmecê  não estiver casa Maria Emília.  
Dizendo isto saiu a galope em direção a casa grande, sendo seguido pelo capataz.
Transtornada e aos prantos,
ela deixou-se cair de joelhos no chão,  sobre a terra ainda molhada pela chuva da manhã.....

Continua...

A cor do amor - Capítulo I

A estória se passa no ano de 1800, último ano do século XVIII da era cristã.
Não baseado na vida real.

"A cor do amor" - 1° Capítulo

Maria Emília estava sozinha sentada em uma das duas cadeiras que haviam na pequena cabana feita de madeira. Um lugar simples onde havia além da mesa e das cadeiras, uma cama rústica com um colchão de palha. 
No canto oposto ao da cama, um pequeno fogão a lenha em que velhas panelas ficavam penduradas organizadamente acima dele.
Alguns utensílios domésticos improvisados, outros descartados da casa grande ficavam empilhados no canto do fogão. 
A antiga cabana de caça abandonada, pertencera ao seu avô paterno e ficava em uma estrada de terra batida que beirava o rio de ponta a ponta.
Devido ao tempo, a cabana foi totalmente coberta pela vegetação o que a deixou mais bonita, porém dificultava ser vista ao passar por ela. 
Apesar de ficar dentro da propriedade da família, era bem afastada da casa onde morava com os pais.
Maria Emília, tivera uma educação requintada, nascera de uma família de fazendeiros respeitada na região, os Vilamontez.
Maria Emília era chamada carinhosamente de Nina pelos pais, 
Alfredo Vilamontez  e Madalena Vilamontez, uma mulher elegante e submissa; tanto ao marido como aos costumes da época. Porém, isso não a fazia menos carinhosa com a única filha do casal, tentava protegê-la de todas as maneiras. 
Embora Madalena não soubesse da paixão secreta da filha, tentava convencer o marido a voltar atrás na decisão de  casá-la com o filho de um amigo contra a vontade dela. 
Nina e a mãe viviam entre a pressão do rígido controle de Alfredo que seguia as tradições da família e era bastante exigente; e as imposições de uma sociedade castradora, machista e limitante. 
Ela havia saído de casa sem que percebessem, como todos os dias no mesmo horário, apenas com a roupa do corpo e seu cavalo. Estava feliz, apreensiva e disposta a continuar com seus planos de fugir com Jonas. 
Seu coração acelerou ao ouvir um trotar de cavalo se aproximando. 
Correu em direção a porta e saiu rapidamente afastando a vegetação a fim de abrir caminho até a estrada.
Não podia conter a alegria que sentia ao pensar que em poucos minutos estaria a caminho de uma nova vida ao lado de Jonas, o homem que amava. 
.....*.....
Jonas e ela cresceram juntos na fazenda, tinham quase a mesma idade. Ele e a mãe eram escravos dos Vilamontez e foram alforriados pelo pai de Nina.
Mãe e filho então, foram morar na cabana a pedido Alfredo que lhes tinha estima.
Quando a mãe de Jonas morreu, ele continuou morando na cabana sozinho, e ela continuou a visitá-lo.
Em um tempo em que casamentos eram arranjados, dogmas e regras eram impostas; os dois se encontravam escondido até aquele momento. 
....*.....
Ao chegar a estrada a cor sumiu-lhe da face e o sorriso apagou-se dos lábios. Sua vontade foi de correr, fugir, porém estava sem reação.
Ela esperava encontrar Jonas... Mas  era seu pai quem a esperava.

Continua....