sábado, 19 de setembro de 2020

por amor _ capítulo XXVIII

Nina despertou na manhã de segunda, sorriu ao lembrar dis bons momentos que havia passado ao lado de Heitor no sábado. 
Vestiu-se, tomou seu café e saiu para o trabalho. 
Como todas as segundas ela passou no correio para pegar as correspondências da loja e às vezes havia uma carta dos pais. 
Ao sair do correio, caminhando no passeio até a loja, uma carruagem parou,  uma mulher desceu vindo ao encontro dela. Agarrou seu braço e disse:
_ Há alguém que deseja falar com a senhora. 
Nina sobressaltada tentou desviar da mulher puxando o braço: _Quem é a senhora? Largue-me por favor! 
_Quem eu sou não importa, há quem queira falar-lhe. Respondeu a mulher.
No mesmo instante Nina viu Fabrício perto dela, tentou correr porém ele a agarrou tentando colocar-lhe na carruagem. Ela gritava e se debatia enquanto Fabrício e a mulher a forçavam a entrar:
_ Socorro, me ajudem, socorro! 
Alguém puxou Fabrício pela gola e deu-lhe um soco na cara levando-o ao chão. A mulher que o acompanhava correu em seu socorro, ajudando-o a levantar. 
_Quem é você idiota metido a bacana? - Perguntou Fabrício com sangue escorrendo no canto da boca, e ajeitando a roupa. _ Quem você pensa que é? 
Heitor pegou seu chapéu do chão e respondeu:
_ Uma pessoa como vosmice não merece saber respostas. Um homem que consegue arrastar uma mulher a força ... Só merece desprezo. Deixe-a em paz. Não acha que já causou problemas demais? _Heitor protegia Nina, estava assustada e agarrava-se ao braço dele. Fabrício exalava ódio. Esbravejava sem parar a ponto de chamar a atenção das poucas pessoas que passavam na rua. Entrou na carruagem acompanhado da estranha mulher, antes do cocheiro sair gritou:
_ Isso não vai ficar assim Maria Emília, ainda vou acertar as contas com você! 
Ela abraçou Heitor e chorava muito, ele a abraçou e disse carinhosamente. 
_ Está tudo bem minha querida, ele a machucou? 
Ela respondeu negativamente apenas com um movimento de cabeça, não conseguia pronunciar palavra alguma.
_ Venha, vou levá-la até a loja. Julia e Luiz vão nos ajudar. 
Seguiram pelo passeio pois estava a pouca distância da loja.


sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Por amor - capítulo XXVII

Nina não havia entendido o que Heitor queria dizer quando lhe perguntou se ela não imaginava o motivo de estar se sentindo rejuvenescido. Ele percebeu isso e resolveu ser direto, mas cauteloso.
_ Não foi a viagem, nem algo que aconteceu no decorrer dela Nina; mas... algo que despertou quando cheguei aqui.
Ela levantou as sobrancelhas. Como como pode ter sido tão ingênua e desatenta? É claro que ele sentiu-se atraído por ela, como ela se sentia atraída por ele, estavam compartilhando o mesmo sentimento ...
_ Nina, vou ser direto você não tem saído de meu pensamento. Depois do jantar no dia em que cheguei de viagem, algo se acendeu dentro de mim e... eu gostaria de ter a oportunidade de conhecê-la melhor. 
_ Heitor, sinto-me lisonjeada, também tenho pensado muito em você. Hoje enquanto o esperava, sentia borboletas no estômago. -Ela riu levando uma mão á boca a fim de esconder o riso envergonhado.Ele sorriu discretamente, e continuou:
_ Então, o que me diz? Aceita que eu lhe faça a côrte senhorita? 
Ambos sorriram e uebraram a seriedade do momento. 
_Sim! Aceito sua côrte Sr. Heitor. 
Ele colocou delicadamente a mão sobre a dela que repousava sobre a mesa. 
_Vou ter que voltar à minha casa. Preciso acertar uns assuntos que deixei pendentes por lá. Porém, manteremos contato por cartas até que eu volte, espero retornar rapidamente. Está bem assim? 
_Claro, está bem! Manteremos contato. 
Heitor a deixou em casa já anoitecendo. Ela passou o domingo tranqüila. Estava empolgada com este novo relacionamento que estava iniciando com Heitor. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Por amor - capítulo XXVI

Enquanto se arrumava para esperar Heitor, alguma coisa lhe dizia que algo diferente de tudo o que havia vivido até aquele momento estava prestes a acontecer. Sentiu-se ansiosa...o frio na barriga voltou.
Agora era esperar Heitor chegar. Ela estava adiantada e poderia ler um pouco até que ele chegasse. 
Pontualmente Heitor chegou para buscá-la, os dois passaram a tarde conversando. Ele contou o que achava importante que ela soubesse sobre sua vida. Ela fez o mesmo, claro que alguns detalhes ficariam para depois. Não se conta uma vida em uma hora, mas pelo menos ambos começaram a se conhecer melhor e isso é que importava.
_ Sinto muito por sua esposa Heitor, deve ter sido muito difícil para você.  - Nina lamentou após saber as causas da morte da esposa dele.
_ No início foi muito difícil sim. Sentia-me muito sozinho, a casa parecia enirne. Na época meu filho ficou comigo uns meses, mas só o tempo mesmo ajudou a superar. Ainda assim, mudei-me. Não havia mais sentido uma casa tão grande para um homem sozinho.
-Ele tomou um pouco de café e a antes de voltar ao assunto.-
_ Muitos anos já se passaram, ficaram as boas lembranças. - Concluiu.
Ela respirou fundo antes de comentar:
_ Sem dúvida o tempo é um aliado curador. E... as boas lembranças devem ser guardadas com carinho. Você não pensou em casar-se novamente? Refazer sua vida! 
Perguntou ela enquanto servia- se de chá. 
_ Para ser sincero, não encontrei ninguém que despertasse em mim o desejo de construir algo mais duradouro.  me sentir velho demais para isso. 
Ela olhou para ele com olhar de reprovação.
_ Velho? Mas você não é velho! É um homem maduro, bem apessoado. Não deveria pensar assim.
_ Para dizer a verdade, me sinto jovem de novo de uns tempinhos para cá. 
_ A viagem a Londres com certeza o renovou.
_ Também, mas não só ela... outro motivo influenciou e muito meu estado de espírito. - Ele olhou fixamente para ela que imediatamente desviou o olhar para a xícara de chá a sua frente. - 
Um instantes de silêncio pairou sobre eles, ela corou, devagar levantou a cabeça e olhou para Heitor que sem desviar os olhos dela um segundo, quebrou o silêncio com um leve sorriso:
_ Não imagina qual é o motivo de meu rejuvenescimento Nina? 
Ela suspirou e respondeu: 
_ Se não foi só a viagem... Creio que seja alguma coisa importante que aconteceu no decorrer dela. 
Realmente ela não havia entendido o que ele quis dizer, talvez por ingenuidade ou não imaginar o que iria ouvir em breve....







por amor capítulo XXV

Naquela noite Heitor não dormiu, pensava em Nina, por mais que tentasse, não conseguia tirar aquela mulher da cabeça. 
A história que Luís lhe contou o deixou inconformado. Como um homem poderia fazer com uma mulher o que fizeram os homens que ela teve. Sua fragilidade física, delicadeza dos traços, educação, não combinavam com este sofrimento. 
Agora estava mais que decidido. Antes de voltar para casa, iria fazer uma visita a Nina, precisava descobrir mais da única mulher que lhe despertou o interesse após tantos anos de solidão...
Dois dias haviam se passado desde o jantar. Heitor passava a maior parte do tempo com Luís fazendo visitas pela cidade, tratando de negócios, revendo velhos amigos. Nestes dois dias só haviam se comprimentado.
Era sábado,  Nina estava em casa ajeitando as roupas da semana.  Bateram palmas, ela estranhou, quem seria? olhou pela janelinha e qual não foi sua surpresa ao ver que Heitor parado a frente. Ajeitou-se rapidamente e abriu a porta.
_Senhor Heitor? Bom dia! Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa com Dr. Luís? - Perguntou preocupada.
_ Bom dia Nina! Não houve nada, aliás, ele nem imagina que estou aqui. Pode sossegar seu coração. - Ele deu um sorriso e continuou a falar sem jeito. 
_ Perdoe-me tomar a liberdade de chamá-la?! 
Ela sentiu-se alíviada por saber que estava tudo bem.
_Imagine Sr. Heitor! Não há porque se desculpar. Fique a vontade para chamar-me quando desejar. 
_ Está certo. Agora eu que peço: Pare de me chamar de Senhor, não pediu que a chamasse pelo apelido? Peço também que me chame apenas Heitor! Combinado?
_ Combinado! Ela sorriu sem jeito. Gostaria de entrar? 
_ Sei bem que o convite é por educação. Não ficaria bem se eu entrasse. Vim apenas fazer-lhe um convite. 
_ Ela levantou a sobrancelha curiosa. _ Um convite? 
_ Gostaria de convidá-la para um chá, na Confeitaria Central.  Conversarmos um pouco, conhecer um pouco mais um do outro, passar algumas horas agradáveis. 
O convite de Heitor a pegou de surpresa. 
Ele era um homem bonito, elegante, educadíssimo e muito charmoso, porém por respeito ao patrão nunca passou por sua cabeça que ele a pudesse convidar para sair. 
Pensou rapidamente e respondeu:
_Confesso que pegou-me de surpresa... mas vou aceitar seu convite.  Respondeu serenamente.
_ Ótimo. Disse não escondendo a satisfação.
_ As 15.00 hs está bem para você? Passarei para pegá-la!
_ Estarei esperando Heitor. 
_ Sendo assim... até mais tarde!
_ Até mais tarde senh... até mais tarde Heitor.
Ela entrou em casa com a impressão de estar sonhando. Sentiu um frio na barriga. Pensou se não havia sido precipitada em aceitar o convite dele. 
_ Que vergonha Nina, que atrevimento. - Repreendeu-se em voz alta rindo de si mesma em seguida. 
Precisava se apressar ou não ficaria pronta a tempo.



Por amo - capítulo XXIV

Nina despediu-se de Heitor e de Luís, após rápidos agradecimentos, este olhou para esposa e disse:
_ Júlia, peça a Antônio que a acompanhe, não quero que vá sozinha a está hora. 
_ Já fiz isso! Ou achou que a deixaria ir sozinha? - Júlia franziu a testa e deu uma piscadela ao marido, uma forma de mostrar o quanto também se preocupava. Ambas saíram juntas da sala.
Já sozinhos, Heitor perguntou à Luís:
_ O marido desta menina... não frequenta a casa? 
Luiz ficou com ar sério, deu um longo suspirou e respondeu:
_ Caro amigo, a história de Nina não é um conto de fadas. Sente-se! Com a liberdade que temos eu contarei à você, tentando usar poucas palavras.
Luís contou à Heitor a história de Nina inclusive seu passado com Fabrício. Ficaram bastante tempo conversando.
_ Que triste tudo que me falou meu amigo... uma moça tão bem educada, com tantos predicados.  É lamentável o comportamento de alguns homens. 
Heitor estava inquieto. Apesar da insistência de Luís para que ficasse hospedado em sua casa, ele preferiu voltar a hospedaria onde se instalou ao chegar a cidadezinha.  
Em seu quarto agora sozinho, lembrou-se de tudo que ouvira do amigo. Que história de vida tinha Maria Emília. Serviu-se de água enquanto olhava através da janela. Teve vontade de conhecê-la melhor...  E era o que iria fazer assim que possível!


terça-feira, 15 de setembro de 2020

Por amor

Por amor - capítulo XX

Heitor mudou de assunto. Melhor não invadir a intimidade de Nina. E assim a viagem foi regada a conversas sobre coisas triviais. Ela lhe disse que trabalhava na loja de antiguidades. Heitor surpreso contou-lhe ser amigo do Dr. Luis, dono da loja em que ela trabalhava. 
Contou-lhe também que era viúvo e que estava de passagem, iria à Londres visitar o filho que estudava e morava lá. 
_ Conheci os Mendonça por negócios. Sabendo que eu estaria aqui me convidaram para o sarau. Vim por consideração, minha intenção não era me demorar. Por isso a encontrei.
Na entrada da cidade a carruagem parou e o cocheiro perguntou qual seria o destino. Heitor fez questão de deixá-la em casa e assim foi feito.
Já estava escuro quando o cocheiro parou na referência dada por Nina. 
_ É aqui? - Perguntou Heitor 
_ Sim, aqui mesmo, a casa azul. Não tenho como agradecê-lo Sr  Heitor. Sou imensamente grata!
_ Não há que agradecer Senhora, foi um prazer tê-la acompanhado. O mal estar passou de verdade? Vai ficar bem? Perguntou Heitor preocupado.
_ Estou bem, muito obrigada pela preocupação e pela gentileza em trazer-me Senhor. Até mais ver!
_ Até mais ver Maria Emília.
Eles se despediram, Heitor beijou-lhe novamente a mão, desta vez mais demoradamente. Entrou na carruagem, Nina moveu a cabeça com sorriso de gratidão que se apagou imediatamente ao olhar para a porta da casa. Ela estava novamente sozinha. 
Lágrimas brotaram, porém, respirou fundo e murmurou para si mesma: 
_ Não é hora de chorar Nina.  Vamos recomeçar....

Por amor - capítulo XIX

Ao retomarem a viagem  o homem se apresentou.
_ Encantado em conhecê-la. Heitor a seu dispor. Apresentou-se o homem beijando-lhe o dorso da mão. 
_ O prazer é meu em conhecê-lo, Senhor Heitor. Maria Emília, mas pode chamar-me Nina.  É como sou chamada, um apelido de infância. 
Foi uma homenagem a minha avó paterna.
_ Perdoe minha indiscrição, mas se me permite perguntar, porque está voltando sozinha? Eu a vi na festa dos Mendonça, estava acompanhada não estava?
Ela se ajeitou no assento antes de responder.
_ Não precisa se desculpar. Sim eu estava na festa,  lembro-me de tê-lo visto. Olhou pela janelinha tentando encontrar palavras adequadas. Não poderia expôr seus problemas à um desconhecido.
_ Não me senti bem, achei melhor ir para casa. 
Heitor preocupou-se -
_ Se está se sentindo mal, podemos procurar um médico....”
_ Não é preciso obrigada! Me sinto melhor, deve ter sido o calor.
_ Mas... e seu acompanhante? Indagou.
_ Se não se importa, prefiro não falar sobre isso.  Nina se inquietou e Heitor percebeu que o melhor a fazer era mudar de assunto...


por amor - capítulo XVIII


Nina continuou caminhando em direção a estrada, estava  anestesiada com tudo que havia acontecido. 
O dia ainda estava claro quando cruzou os portões que separavam a propriedade da estrada.
Pensou que com sorte poderia encontrar algum morador  a caminho da igreja antes de escurecer; caso contrário caminharia mais de uma hora no escuro, mas seu medo era menor que a dor que sentia agora. 
As lágrimas escorriam silenciosas, olhou para trás a fim de se certificar de que Jonas não a estava seguindo. 
Continuou pela estradinha, algum tempo se passou sem que ela parasse de caminhar.
Ouviu o barulho de rodas,  enxugou as lágrimas, poderia ser uma carroça. Ao virar-se, viu uma carruagem, o cocheiro parou, antes que ela fizesse um sinal. 
Pela janelinha,  viu se tratar de um dos convidados que ela vira na festa. Embora estivesse junto as outras pessoas do grupo em que foi apresentada pela anfitriã, os dois não trocaram palavra.
_ Para onde vai a senhora sozinha esta hora? - Perguntou em tom de brincadeira.
Ela não havia sido apresentada a ele, mas lembrou-se que era um convidado.
_ Estou indo para casa. Para a cidade!
O homem, desceu da carruagem e aproximou-se dela tirando o chapéu.
Desculpe meu atrevimento mas, o que fez uma dama tão elegantemente vestida arriscar-se sozinha na estrada? Logo vai escurecer e não é muito seguro andar por aqui. 
_Sim eu sei. Confesso! Estava rezando para passar alguém conhecido, para que eu pudesse pedir o favor de levar-me até a entrada da cidade.
_ Pois já encontrou! - O homem estendeu a mão indicando a carruagem. Ele era divertido, bem vestido; percebia-se que era alguém de classe e boa educação.
_ Vou aceitar. Isto é... Se não for desviá-lo de seu destino. Ela respondeu com um sorriso, por um segundo pode esquecer o que havia acontecido.
_ De forma alguma, será um prazer ter sua companhia. - Dito isso, ajudou-a a subir e se ajeitar no transporte. Deu a ordem ao cocheiro que continuou a viagem...





segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Por amor - capítulo XII

Nina acordou e aos poucos foi retomando a lembrança da noite anterior. Olhou para o lado... Jonas não havia sequer deitado na cama. 
Levantou-se e ao chegar na sala, deparou-se com Jonas dormindo no tapete. Inutilmente tentou chamá-lo várias vezes, ele se agitava, praguejava, a empurrava mas não acordava. 
Decepcionada, desistiu de tentar acordá-lo. Vestiu-se, pegou sua bolsa e foi para a loja.
Enquanto caminhava, pensava que pela primeira vez nestes quatro anos eles nunca haviam deixado de tomar o café da manhã juntos. Alguma estava errada, algo havia mudado, o que estaria acontecendo com Jonas? 
Este comportamento do marido definitivamente não a agradava. 
Conversaria com ele a noite, em casa após o jantar!
O dia passou lento, sentados à mesa após o jantar, ela tomou a iniciativa e puxou conversa. 
_Você pode me explicar o que foi “aquilo” ontem?
_ Aquilo o que Nina?  Retrucou ele em tom agressivo enquanto lustrava os sapatos.
_Escute aqui, não me subestime Jonas, não vou admitir que você me trate desta forma. Vamos conversar civilizadamente? 
Ele a olhou com desdém, porém endireitou-se na cadeira a fim de ouví-la.  E ela continuou:
_O que está acontecendo Jonas?Meu marido sai de casa pela manhã e um homem que até então eu não conhecia volta pra casa, dorme no tapete embriagado; e agora me trata como se não me conhecesse ou como se eu não significasse nada para você!?  
Nina ficou a  espera de uma resposta ,que veio depois de um silêncio irritante.
_ Não tenho o que explicar Nina, as... as coisas mudam. Pessoas mudam, cada um é livre à tomar suas próprias decisões... ou não? 
A frieza de suas palavras a deixaram inquieta.
_ Mas... só me faltava esta agora Jonas. Então me fale... o que mudou... quem mudou? Asseguro que não fui eu.
Um silêncio incômodo tomou espaço entre os dois, até Jonas o quebrar:
Olha, Vamos deixar isso pra outra hora Nina, depois conversamos, agora tenho que sair. 
_ Vai sair a está hora? Aonde vai a uma hora dessas jonas? Como pode deixar pra outra hora um assunto sério e que está me incomodando? 
Ele parecia não ouvir uma palavra do que ela dizia. 
Sem entender nada, as palavras brotavam de seus lábios tentando obter dele uma resposta.
"_ Não... definitivamente alguma coisa esta acontecendo, nunca tivemos este comportamento um com o outro. Eu mereço uma resposta e você vai me dar agora! Jonas não lhe deu atenção, pegou seu chapéu e caminhou em direção a porta e sem olhar para ela disse:
_ Não me espere porque vou demorar a chegar. Amanhã falaremos sobre isso!
Saiu batendo a porta e deixando Nina arrasada com os olhos marejados de lágrimas sem acreditar no comportamento do marido.
Por um instante permitiu-se voltar no tempo, lembrou-se da opressão e da submissão que foi obrigada a viver ao lado de Fabrício e chorou muito. Ela não conseguia acreditar que estava começando a viver novamente um pesadelo como aquele.
Algumas horas depois, respirou fundo, enxugou as lágrimas. Ela estava decidida a fazer tudo diferente, não iria se submeter aos caprichos de um homem; mesmo o amando e sendo seu marido, ela não daria à ele poder sobre ela ...

Por amor capítulo XI

Nina trabalhava em uma pequena loja de antiguidades, conseguiu este trabalho poucos meses depois de chegar a cidade. 
Jonas ajudava a administrar uma das inúmeras fazendas da região. 
Quatro anos haviam se passado desde o dia em que ela saiu da casa dos pais com Jonas, para juntos buscarem a felicidade com a cara e a coragem, um cavalo e umas poucas roupas.
O dinheiro que o pai de Nina ofereceu a Jonas, foi o suficiente para que comprassem uma casa simples, porém muito confortável na cidade. 
A vida transcorria bem, ambos saiam pela manhã e voltavam ao entardecer. 
Nina esperava Jonas para jantar todos os dias. Depois iam para a sala, concersavam e depois iam dormir. 
Ela estava feliz, porém a um tempo percebia o marido diferente. Uma noite Jonas não aparecia para o jantar. Preocupada, foi inúmeras vezes até a janela e voltou, sem conseguir sossego. Horas se passaram, ela havia cochilado no sofá e acordou ao ouvir o barulho do portão, correu para olhar pela janela, era Jonas. 
Abriu a porta rapidamente, preocupada perguntou-lhe:
_ O que aconteceu? Você nunca se atrasou deste jeito, está tudo bem? 
_ Não aconteceu nada mulher. Eu só estava jogando conversa fora na adega do seu João. Não vi a hora passar.
Jonas estava completamente bêbado, falava arrastando, e exalava um cheiro de bebida insuportável. 
_ Jonas, você está imprestável. O que deu em você? Nunca foi dado a bebedeiras!
_ Num enche Nina, vou pra cama.
_ Não senhor, vá tomar um banho! Na minha cama você não deita neste estado!
Jonas virou-se para ela apoiando-se na parede, balançando a ponto de quase perder o equilíbrio e foi para a sala de banho. 
Nina ficou sem reação, não acreditava no que estava vendo, em sua mente voltaram as terríveis lembranças das bebedeiras e agressões de Fabrício, pensou que nunca mais sentiria aquele cheiro horroroso. 

Foi para o quarto, deitou-se e ficou esperando Jonas chegar. Fingiu que estava dormindo uma forma de se proteger caso ele tenta-se tocá-la... naquela noite ela não queria que ele encostasse nela.
Ela lembrou das noites sofridas com Fabrício, lembranças a tanto adormecidas estavam vivas e só agora ela percebia isso...


Por amor - capítulo X

Seis meses se passaram.
Nina e Jonas, começaram a nova vida em um vilarejo não muito distante, um local pequeno onde todos se conheciam. Ao chegarem os falatórios pelo novo casal da cidade, uma branca e um negro fervilhavam, as pessoas os encaravam, trocavam de calçada.
Foi difícil no começo, mas agora já não eram tão interessantes, outras novidades surgiam desviando o assunto anterior e assim as coisas foram se ajeitando.
Estavam começando a ser respeitados e aceitos pelas pessoas.


 



Por amor - capítulo IX

_ Minha sogra, que surpresa encontrá-la aqui. 
_Sr. Fabrício! A surpresa foi minha ao não vê-lo aqui diante de uma situação como esta. Meus parabéns pelo bebê! 
_ Obrigada senhora Madalena. Mas me diga como está Alfredo? 
_ Está bem! Embora aborrecido por vocês não terem mais ido nós visitar. 
_ Não faltará oportunidade minha cara, em breve faremos uma visita. 
Ele olhou para Nina e voltou a falar com a sogra. _ Agora acho que Maria Emília precisa repousar. Concluiu apontando a porta para que Madalena saísse.
Ao chegar em casa, Madalena foi ter com o marido. 
_ Sr. meu marido, precisamos conversar! 
_ O que é agora Madalena? Vai me atormentar de novo com as reuniões da loja? É somente uma vez por semana e só homens participam! Comentou Alfredo um tanto brincalhão. 
_ Alfredo pare de brincadeira, o assunto é muito sério! 
_ O que houve? Quando cheguei não a encontrei e disseram que vieram chamá-la da parte de Fabrício! 
Madalena inquietou-se.
_ Da parte de Fabrício!  - Ela desdenhou - Ela suspirou antes  de continuar. _ Fabrício sequer estava lá. Chegou horas depois e praticamente me expulsou de lá! 
_ O que está me dizendo?  - Alfredo sentou-se frente a esposa. _ Fabrício a desrespeitou, o que aconteceu, porque a chamaram lá? Por Deus fale logo! 
_ Nina está esperando um filho. 
_ Mas que notícia maravilhosa! Alfredo abriu um sorriso que durou pouco. Madalena falou da preocupação com a saúde da filha, por sua aparência magra e abatida. Contou também que Nina não saia de casa desde o casamento.  Os dois ficaram surpresos, pois não haviam recebido nenhuma sequer. 

.....Atualizando......

Nina estava feliz, apesar de abatida. Estava feliz por saber que teria agora um filho, não mais se sentiria tão sozinha, teria alguém para amar e se dedicar.
Olhou para fora da janela, o dia estava bonito, ao se vestir admirou sua imagem no espelho, estava agora com uns dois meses de gravidez, e
stava casada com Fabrício haviam três longos meses, e ele sequer esboçou uma reação ao saber que seria pai.
Ela acariciou a barriga ainda imperceptível e disse como se o bebê estivesse ouvindo:
_ Meu amor, eu protegerei você!
Desceu as escadas e foi em direção a porta.
A governanta já tirava o avental para acompanhá-la, quando Nina a impediu.
"_ Não precisa Filomena, estou bem! Vou sozinha, quero andar, respirar ar puro, o dia está lindo!"
"_ Mas senhora..."
"_ Já lhe disse, cuide de seus afazeres, não se preocupe comigo."
Fechou a porta atrás de si, deixando a governanta com ar preocupado.
Uma hora depois ela voltou, sentindo-se muito bem, feliz e sorrindo para si mesma enquanto pensava no filho que carregava no ventre, como seria seu rostinho?   
Ao Chegar de frente a porta de entrada subiu as escadas e sentou-se no último degrau; ficou admirando a natureza, as árvores, as flores, os pássaros, enquanto sentia o sol suavemente aquecendo o rosto. Estava em estado de graça.
Uma voz a tirou de sua paz, assustada ela virou-se.
"_Posso saber onde a senhora estava?"  
A voz atrás dela a fez tremer, o medo tomou conta dela. Era Fabrício, ela levantou-se apoiando as costas com as mãos e respondeu:
"_ Eu fui passear pelo jardim, tomar sol e aproveitar o dia lindo que esta fazendo!"

Nina explicou forçando um riso.
"_Eu não mandei que só saísse de casa em companhia da governanta?" Disse ele com seu tom agressivo e insuportavelmente frio.
"_ Mas não há necessidade, eu andava pelo jardim apenas, não atravessei os portões da casa, nem me aproximei da estrada."
Neste momento, tomado pela ira, Fabrício deu-lhe um chute na perna desequilibrando-a, fazendo com que  ela rolasse escada à baixo.

Atordoada como se estivesse num sonho, olhoi para Fabrício, sentia muita dor.
"_ Senhor, por favor me ajude a lenvantar!"
Ele ignorou seu pedido.
Chorando de revolta, ódio e todos os piores sentimentos que poderia sentir uma mãe que tem seu filho ameaçado, perguntou à ele:
"_Porque fez isso? Estou esperando um filho seu?"  Disse chorando com dor na alma e no corpo, inconformada com a maldade do homem a sua frente.
"_ Será mesmo que o filho é meu?" Fabrício respondeu sorrindo irônica e maldosamente.
"_ Deve ser do seu namoradinho... eu tenho olhos verdes! Vamos ver se é meu mesmo quando nascer!"
Dando as costas para ela, entrou em casa sem socorrê-la.
Nina gritou desesperadamente até Filomena surgir, a governanta gritou chamando o capataz que veio correndo  em socorro à elas...



Filomena juntamente com o capataz a carregaram para dentro de casa. 
"_Vá chamar o Dr. Barros, diga que é urgente... chame também a mãe da sinhá"  Disse Filomena ajeitando a patroa na cama.
"_Vá rápido, ela está perdendo muito sangue."
Fabrício ouvindo a governanta dar as ordens ao capataz, não se importando pegou seu chapéu e saiu sem dizer para onde iria e sem sequer se preocupar com o estado de sua esposa.
O médico ficou muito tempo no quarto com Nina e a governanta. Quando saiu, com a fisionomia pesada e  pesarosa. 
Madalena o esperava, levantou-se e foi a seu encontro ávida por notícias. O médico olhou para a mãe de Nina e anunciou:
_ Ela perdeu o bebê. 
Sinto muito senhora... a queda foi feia. Infelizmente, ela não poderá mais ter filhos!
O médico suspirou...
_ Precisará muito do apoio de todos vocês. 
A mãe de nina sentou-se chorando inconformada, Filomena que descia as escadas a amparou e serviu-lhe água. Mais calma indagou a governanta:
_ Filomena! Me acompanhe precisamos falar! - A mãe de Nina pressionou-a descobrindo assim todas as atrocidades que Fabrício fazia com a filha.
Inconformada e extremamente irritada por ver o estado da filha, decidiu que a ajudaria a se livrar do martírio que era seu casamento. 

Enxugando as lágrimas, recompôs-se e entrou no quarto onde a filha se recuperava. 
Encontrou Nina adormecida, sentou-se ao lado dela e acariciou-lhe o rosto. Ela despertou com seu toque suave e inconfundível.
_ Meu amor, como está se sentindo?" Perguntou-lhe a mãe.
_ Mamãe... eu não cai da escada, ele...
A mãe lhe fez sinal de silêncio e disse calmamente:
_ Não precisa dizer nada filha, conversei com Filomena, já sei de tudo. Esqueça isso agora, Já pedi que Filomena arrume suas malas, você vai para casa comigo. 
Nina olhou para a mãe com a expressão de alívio e medo, mas nada falou. Madalena continuou:
_Não a deixarei mais nenhum dia com este homem. Ele é doente, ele é um louco!
Nina abraçou a mãe, estava feliz em saber que não seria novamente humilhada e usada por Fabrício, nunca virá um homem tão frio e sem sentimentos como ele.
Ao entrar na casa grande, Nina não disse palavra alguma, dirigiu-se para o quarto que fora dela quando solteira, esticou-se sobre a cama macia e adormeceu. Pela primeira vez em três meses ela teria uma noite de sono tranquilo, sem o medo constante de ser acordada em meio a madrugada com a agressão  de Fabrício.
Ela desceu para o café da manhã, 
o pai se aproximou dela e a abraçou carinhosamente.
_ Filha, sinto muito por tudo isso, sua mãe me contou os absurdos que esteve vivendo. Me perdoe. Me recusei a ouvir quando me pedia. Eu... eu não consegui enxergar quem realmente era Fabrício. Perdoe-me por favor pela minha atitude.  A casa é sua, aqui estará protegida!"
Os meses se passaram. Fabrício havia ido várias vezes a casa dos pais dela fazer seus escândalos. Ameaçava, gritava, sempre fazia isso em estado de grande embriaguez; seus repentes já haviam se tornado comuns desde que sairá de casa.
Soube tempos depois, que Fabrício havia levado outra mulher para morar com ele, fazia festas e orgias todas as noites. 
A sensação de não ter mais que dividir o mesmo teto com aquele homem a fez sentir-se leve, livre da opressão daquele que não queria nunca mais nem ouvir o nome.
Certa tarde Nina foi até a choupana, em seu íntimo tinha a esperança de que Jonas ainda morasse lá. Encontrou a casa vazia, percebeu que estava abandonada e chorou!
Sentou-se em uma das cadeiras e olhava ao seu redor relembrando as alegrias, os momentos felizes com Jonas, os risos e conversas, tudo que eles viveram naquele lugar.
Levantou-se pois já ia começar a entardecer, olhou pela última vez com tristeza para dentro e fechou a porta.  Ao virar-se para ir embora, viu Jonas parado logo a sua frente....
Jonas era um homem muito bonito, traços fortes e estava elegantemente  vestido, ela aproximou-se dele que a abraçou com carinho, recompensando todo seu sofrimento. 
Olhando em seus olhos, ele confidenciou:
"_Venho sempre aqui! No mesmo horário todos os dias, não deixei de vir um só dia, na esperança de que você viesse até aqui. Alguma coisa me dizia que você viria!"
Os dois se abraçaram novamente, e ficaram conversando um bom tempo, falaram sobre muitas coisas. 
Ela contou- lhe tudo que havia acontecido, ele de seus planos. 
"_ Já está entardecendo, preciso ir." Disse ela tocando o ombro de Jonas.
"_Vou acompanhá-la! Pelo menos até a entrada da casa. Isto é... Se não for criar problemas para você."
Ela sorriu: "_ Você vai entrar comigo, vou colocar você no lugar que sempre deveria ter ocupado... ao meu lado à mesa de jantar." 
Ele sorriu, puxou-a para junto de si e a beijou com carinho.
Nina entrou em casa levando Jonas pela mão, seus pais olharam um para o outro com surpresa. E após um breve silêncio, o pai de Nina gentilmente apontou à Jonas a cadeira e ela sentou-se ao lado dele.
Conversavam enquanto o jantar era servido. 
Naquele momento de harmonia seus pais sentiram que uma nova vida começaria para a filha e ela tinha certeza disso. 
Após o jantar Nina chamou a mãe para o quarto, queria conversar, contar seus planos; enquanto Jonas ficou com o pai dela. 
Um tempo depois ambas desceram e se juntaram a eles na antesala.
"_Então Jonas e Nina tem planos?" _ Disse Alfredo oferecendo um o cálice com licor ao jovem....



Nina tomou a frente e respondeu ao pai: _Sim papai, já conversei com mamãe. Vou me unir a Jonas. Temos uns planos, ou melhor, Jonas me contou o que pretende fazer e... decidimos ter uma nova vida... juntos.
Ela olhou para Jonas e colocou sua mão de sobre a dele antes de continuar.
_Vamos para outro lugar, onde eu possa refazer minha vida, onde não me conheçam e nem a minha história.
Alfredo sentou-se ao lado de Madalena, mãe de Nina. E dirigindo o olhar a esposa perguntou: 
_ O que você acha disso!
Madalena era uma mulher otimista, alegre, e quando as coisas estavam bem se permitia sorrir sem reservas. Ela abriu um belo sorriso olhando para o casal que estava a sua frente e respondeu: 
_ Eu acho que nossa filha merece ser feliz! Refazer a vida longe das línguas e olhares maldosos. Sim, eu acho maravilhoso!
Alfredo levantou-se, caminhou até os dois e parando diante deles e pousou cada mão sobre o ombro de ambos.
_ Vocês tem certeza de que não querem ficar aqui? A casa é grande e somos só eu e sua mãe!
_ Sim papai, temos certeza. É melhor respirar outros ares, buscar novas oportunidades e principalmente ter paz... o senhor sabe do que estou falando! - Ela referia-se ao inconveniente Fabrício em suas crises de possessividade. 
Alfredo respirou fundo e concluiu: 
_ Se vocês decidiram assim, tem a minha benção... Façamos um brinde! 
Os dias se passaram rapidamente enquanto se preparavam para a viagem.
....





Finalmente o dia chegou. 
Dirigiram-se à porta, era o momento de despedir-dos pais de Nina. Ela  abraçou a mãe, as lágrimas escorreram por seu rosto. 
_ Eu escreverei mamãe!
Seu pai aproximou-se de Jonas, deu-lhe um pequeno alforje, e recomendou:
_Esta é uma pequena quantia para que se estabeleçam, faça minha filha feliz Jonas!!!
Sorriu-lhe apertando a mão.
_ Papai, obrigada por tudo!
_ Seja feliz filha... mande notícias. Vocês poderiam levar a carruagem, ir a cavalo é uma ideia estapafúrdia. 
_ Papai, só iremos até a estação, depois o trem nos levará.
Nina montou na garupa de Jonas e agarrando-se a sua cintura acenou em adeus e seguiram juntos. Finalmente
, uma nova vida. Ela sabia que não seria fácil,  mas o amor que tinham um pelo outro superaria qualquer barreira...