sábado, 19 de setembro de 2020

por amor _ capítulo XXVIII

Nina despertou na manhã de segunda, sorriu ao lembrar dis bons momentos que havia passado ao lado de Heitor no sábado. 
Vestiu-se, tomou seu café e saiu para o trabalho. 
Como todas as segundas ela passou no correio para pegar as correspondências da loja e às vezes havia uma carta dos pais. 
Ao sair do correio, caminhando no passeio até a loja, uma carruagem parou,  uma mulher desceu vindo ao encontro dela. Agarrou seu braço e disse:
_ Há alguém que deseja falar com a senhora. 
Nina sobressaltada tentou desviar da mulher puxando o braço: _Quem é a senhora? Largue-me por favor! 
_Quem eu sou não importa, há quem queira falar-lhe. Respondeu a mulher.
No mesmo instante Nina viu Fabrício perto dela, tentou correr porém ele a agarrou tentando colocar-lhe na carruagem. Ela gritava e se debatia enquanto Fabrício e a mulher a forçavam a entrar:
_ Socorro, me ajudem, socorro! 
Alguém puxou Fabrício pela gola e deu-lhe um soco na cara levando-o ao chão. A mulher que o acompanhava correu em seu socorro, ajudando-o a levantar. 
_Quem é você idiota metido a bacana? - Perguntou Fabrício com sangue escorrendo no canto da boca, e ajeitando a roupa. _ Quem você pensa que é? 
Heitor pegou seu chapéu do chão e respondeu:
_ Uma pessoa como vosmice não merece saber respostas. Um homem que consegue arrastar uma mulher a força ... Só merece desprezo. Deixe-a em paz. Não acha que já causou problemas demais? _Heitor protegia Nina, estava assustada e agarrava-se ao braço dele. Fabrício exalava ódio. Esbravejava sem parar a ponto de chamar a atenção das poucas pessoas que passavam na rua. Entrou na carruagem acompanhado da estranha mulher, antes do cocheiro sair gritou:
_ Isso não vai ficar assim Maria Emília, ainda vou acertar as contas com você! 
Ela abraçou Heitor e chorava muito, ele a abraçou e disse carinhosamente. 
_ Está tudo bem minha querida, ele a machucou? 
Ela respondeu negativamente apenas com um movimento de cabeça, não conseguia pronunciar palavra alguma.
_ Venha, vou levá-la até a loja. Julia e Luiz vão nos ajudar. 
Seguiram pelo passeio pois estava a pouca distância da loja.


sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Por amor - capítulo XXVII

Nina não havia entendido o que Heitor queria dizer quando lhe perguntou se ela não imaginava o motivo de estar se sentindo rejuvenescido. Ele percebeu isso e resolveu ser direto, mas cauteloso.
_ Não foi a viagem, nem algo que aconteceu no decorrer dela Nina; mas... algo que despertou quando cheguei aqui.
Ela levantou as sobrancelhas. Como como pode ter sido tão ingênua e desatenta? É claro que ele sentiu-se atraído por ela, como ela se sentia atraída por ele, estavam compartilhando o mesmo sentimento ...
_ Nina, vou ser direto você não tem saído de meu pensamento. Depois do jantar no dia em que cheguei de viagem, algo se acendeu dentro de mim e... eu gostaria de ter a oportunidade de conhecê-la melhor. 
_ Heitor, sinto-me lisonjeada, também tenho pensado muito em você. Hoje enquanto o esperava, sentia borboletas no estômago. -Ela riu levando uma mão á boca a fim de esconder o riso envergonhado.Ele sorriu discretamente, e continuou:
_ Então, o que me diz? Aceita que eu lhe faça a côrte senhorita? 
Ambos sorriram e uebraram a seriedade do momento. 
_Sim! Aceito sua côrte Sr. Heitor. 
Ele colocou delicadamente a mão sobre a dela que repousava sobre a mesa. 
_Vou ter que voltar à minha casa. Preciso acertar uns assuntos que deixei pendentes por lá. Porém, manteremos contato por cartas até que eu volte, espero retornar rapidamente. Está bem assim? 
_Claro, está bem! Manteremos contato. 
Heitor a deixou em casa já anoitecendo. Ela passou o domingo tranqüila. Estava empolgada com este novo relacionamento que estava iniciando com Heitor. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Por amor - capítulo XXVI

Enquanto se arrumava para esperar Heitor, alguma coisa lhe dizia que algo diferente de tudo o que havia vivido até aquele momento estava prestes a acontecer. Sentiu-se ansiosa...o frio na barriga voltou.
Agora era esperar Heitor chegar. Ela estava adiantada e poderia ler um pouco até que ele chegasse. 
Pontualmente Heitor chegou para buscá-la, os dois passaram a tarde conversando. Ele contou o que achava importante que ela soubesse sobre sua vida. Ela fez o mesmo, claro que alguns detalhes ficariam para depois. Não se conta uma vida em uma hora, mas pelo menos ambos começaram a se conhecer melhor e isso é que importava.
_ Sinto muito por sua esposa Heitor, deve ter sido muito difícil para você.  - Nina lamentou após saber as causas da morte da esposa dele.
_ No início foi muito difícil sim. Sentia-me muito sozinho, a casa parecia enirne. Na época meu filho ficou comigo uns meses, mas só o tempo mesmo ajudou a superar. Ainda assim, mudei-me. Não havia mais sentido uma casa tão grande para um homem sozinho.
-Ele tomou um pouco de café e a antes de voltar ao assunto.-
_ Muitos anos já se passaram, ficaram as boas lembranças. - Concluiu.
Ela respirou fundo antes de comentar:
_ Sem dúvida o tempo é um aliado curador. E... as boas lembranças devem ser guardadas com carinho. Você não pensou em casar-se novamente? Refazer sua vida! 
Perguntou ela enquanto servia- se de chá. 
_ Para ser sincero, não encontrei ninguém que despertasse em mim o desejo de construir algo mais duradouro.  me sentir velho demais para isso. 
Ela olhou para ele com olhar de reprovação.
_ Velho? Mas você não é velho! É um homem maduro, bem apessoado. Não deveria pensar assim.
_ Para dizer a verdade, me sinto jovem de novo de uns tempinhos para cá. 
_ A viagem a Londres com certeza o renovou.
_ Também, mas não só ela... outro motivo influenciou e muito meu estado de espírito. - Ele olhou fixamente para ela que imediatamente desviou o olhar para a xícara de chá a sua frente. - 
Um instantes de silêncio pairou sobre eles, ela corou, devagar levantou a cabeça e olhou para Heitor que sem desviar os olhos dela um segundo, quebrou o silêncio com um leve sorriso:
_ Não imagina qual é o motivo de meu rejuvenescimento Nina? 
Ela suspirou e respondeu: 
_ Se não foi só a viagem... Creio que seja alguma coisa importante que aconteceu no decorrer dela. 
Realmente ela não havia entendido o que ele quis dizer, talvez por ingenuidade ou não imaginar o que iria ouvir em breve....







por amor capítulo XXV

Naquela noite Heitor não dormiu, pensava em Nina, por mais que tentasse, não conseguia tirar aquela mulher da cabeça. 
A história que Luís lhe contou o deixou inconformado. Como um homem poderia fazer com uma mulher o que fizeram os homens que ela teve. Sua fragilidade física, delicadeza dos traços, educação, não combinavam com este sofrimento. 
Agora estava mais que decidido. Antes de voltar para casa, iria fazer uma visita a Nina, precisava descobrir mais da única mulher que lhe despertou o interesse após tantos anos de solidão...
Dois dias haviam se passado desde o jantar. Heitor passava a maior parte do tempo com Luís fazendo visitas pela cidade, tratando de negócios, revendo velhos amigos. Nestes dois dias só haviam se comprimentado.
Era sábado,  Nina estava em casa ajeitando as roupas da semana.  Bateram palmas, ela estranhou, quem seria? olhou pela janelinha e qual não foi sua surpresa ao ver que Heitor parado a frente. Ajeitou-se rapidamente e abriu a porta.
_Senhor Heitor? Bom dia! Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa com Dr. Luís? - Perguntou preocupada.
_ Bom dia Nina! Não houve nada, aliás, ele nem imagina que estou aqui. Pode sossegar seu coração. - Ele deu um sorriso e continuou a falar sem jeito. 
_ Perdoe-me tomar a liberdade de chamá-la?! 
Ela sentiu-se alíviada por saber que estava tudo bem.
_Imagine Sr. Heitor! Não há porque se desculpar. Fique a vontade para chamar-me quando desejar. 
_ Está certo. Agora eu que peço: Pare de me chamar de Senhor, não pediu que a chamasse pelo apelido? Peço também que me chame apenas Heitor! Combinado?
_ Combinado! Ela sorriu sem jeito. Gostaria de entrar? 
_ Sei bem que o convite é por educação. Não ficaria bem se eu entrasse. Vim apenas fazer-lhe um convite. 
_ Ela levantou a sobrancelha curiosa. _ Um convite? 
_ Gostaria de convidá-la para um chá, na Confeitaria Central.  Conversarmos um pouco, conhecer um pouco mais um do outro, passar algumas horas agradáveis. 
O convite de Heitor a pegou de surpresa. 
Ele era um homem bonito, elegante, educadíssimo e muito charmoso, porém por respeito ao patrão nunca passou por sua cabeça que ele a pudesse convidar para sair. 
Pensou rapidamente e respondeu:
_Confesso que pegou-me de surpresa... mas vou aceitar seu convite.  Respondeu serenamente.
_ Ótimo. Disse não escondendo a satisfação.
_ As 15.00 hs está bem para você? Passarei para pegá-la!
_ Estarei esperando Heitor. 
_ Sendo assim... até mais tarde!
_ Até mais tarde senh... até mais tarde Heitor.
Ela entrou em casa com a impressão de estar sonhando. Sentiu um frio na barriga. Pensou se não havia sido precipitada em aceitar o convite dele. 
_ Que vergonha Nina, que atrevimento. - Repreendeu-se em voz alta rindo de si mesma em seguida. 
Precisava se apressar ou não ficaria pronta a tempo.



Por amo - capítulo XXIV

Nina despediu-se de Heitor e de Luís, após rápidos agradecimentos, este olhou para esposa e disse:
_ Júlia, peça a Antônio que a acompanhe, não quero que vá sozinha a está hora. 
_ Já fiz isso! Ou achou que a deixaria ir sozinha? - Júlia franziu a testa e deu uma piscadela ao marido, uma forma de mostrar o quanto também se preocupava. Ambas saíram juntas da sala.
Já sozinhos, Heitor perguntou à Luís:
_ O marido desta menina... não frequenta a casa? 
Luiz ficou com ar sério, deu um longo suspirou e respondeu:
_ Caro amigo, a história de Nina não é um conto de fadas. Sente-se! Com a liberdade que temos eu contarei à você, tentando usar poucas palavras.
Luís contou à Heitor a história de Nina inclusive seu passado com Fabrício. Ficaram bastante tempo conversando.
_ Que triste tudo que me falou meu amigo... uma moça tão bem educada, com tantos predicados.  É lamentável o comportamento de alguns homens. 
Heitor estava inquieto. Apesar da insistência de Luís para que ficasse hospedado em sua casa, ele preferiu voltar a hospedaria onde se instalou ao chegar a cidadezinha.  
Em seu quarto agora sozinho, lembrou-se de tudo que ouvira do amigo. Que história de vida tinha Maria Emília. Serviu-se de água enquanto olhava através da janela. Teve vontade de conhecê-la melhor...  E era o que iria fazer assim que possível!


terça-feira, 15 de setembro de 2020

Por amor

Por amor - capítulo XX

Heitor mudou de assunto. Melhor não invadir a intimidade de Nina. E assim a viagem foi regada a conversas sobre coisas triviais. Ela lhe disse que trabalhava na loja de antiguidades. Heitor surpreso contou-lhe ser amigo do Dr. Luis, dono da loja em que ela trabalhava. 
Contou-lhe também que era viúvo e que estava de passagem, iria à Londres visitar o filho que estudava e morava lá. 
_ Conheci os Mendonça por negócios. Sabendo que eu estaria aqui me convidaram para o sarau. Vim por consideração, minha intenção não era me demorar. Por isso a encontrei.
Na entrada da cidade a carruagem parou e o cocheiro perguntou qual seria o destino. Heitor fez questão de deixá-la em casa e assim foi feito.
Já estava escuro quando o cocheiro parou na referência dada por Nina. 
_ É aqui? - Perguntou Heitor 
_ Sim, aqui mesmo, a casa azul. Não tenho como agradecê-lo Sr  Heitor. Sou imensamente grata!
_ Não há que agradecer Senhora, foi um prazer tê-la acompanhado. O mal estar passou de verdade? Vai ficar bem? Perguntou Heitor preocupado.
_ Estou bem, muito obrigada pela preocupação e pela gentileza em trazer-me Senhor. Até mais ver!
_ Até mais ver Maria Emília.
Eles se despediram, Heitor beijou-lhe novamente a mão, desta vez mais demoradamente. Entrou na carruagem, Nina moveu a cabeça com sorriso de gratidão que se apagou imediatamente ao olhar para a porta da casa. Ela estava novamente sozinha. 
Lágrimas brotaram, porém, respirou fundo e murmurou para si mesma: 
_ Não é hora de chorar Nina.  Vamos recomeçar....